segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Programa Homospiritualis é difundido em Natal e João Pessoa

Entre os dias 28 de novembro e 04 de dezembro, o Programa Homospiritualis, mantido pela ONG Círculo de São Francisco, participou de vários eventos nas cidades de Natal/RN e João Pessoa/PB, difundindo o trabalho que completou 16 anos (o programa foi criado em 1999 e passou a ser mantido pela ONG em 2003).
O primeiro foi no Fórum Potiguar das PICs. O evento foi organizado pela Faculdade Nassau, com a participação de professores da UFRN, do Instituto Federal do RN, de terapeutas  e de outros interessados. Em 2017, Natal/RN sediará o I Congresso Nacional das PICs e o fórum foi uma oportunidade de reunir boa parte das pessoas envolvidas com a difusão das mesmas, sobretudo, nos espaços públicos. O Instituto Federal do RN, inclusive, tem um curso técnico sobre PICs, com duração de 2 anos e uma grade curricular muito significativa.

No fórum, a participação do Programa Homospiritualis foi intensa, com uma palestra abordando o despertar do Homo spiritualis e o (re)envolvimento humano; uma participação na mesa redonda "experiências de implantação das PICs no SUS", na qual contamos a experiência de São Carlos no ano de 2015 e a possibilidade de, em breve, termos uma política municipal das PICs, e também na "experiências com as PICs em Natal/RN, em que recebemos a responsabilidade de fazer o encerramento da mesa, comentando os significativos trabalhos expostos, entre eles, de meditação em presídios, de danças circulares e de Yoga. Por fim, ministramos mais uma oficina de Terapia Vibracional Integrativa (TVI), com cerca de 30 participantes.

Nos dias seguintes, participamos de uma palestra seguida de uma meditação integrativa no grupo Auta de Luz, que realiza um programa de educação em valores humanos para crianças que é exemplar. A palestra abordou o tema do quantum ao qualitum, uma forma de valorizar as energias psíquicas de uma forma diferente das energias físicas. Ainda no grupo Auta de Luz, acompanhamos uma manhã de trabalho, com cerca de 20 crianças. A experiência foi inesquecível. As crianças foram recepcionadas por volta das 7h30 da manhã e, em seguida, participaram de uma sessão de harmonização com cantos devocionais oriundos de várias tradições religiosas e de uma prática de Chi Kung. Às 8 horas começou a contação de história. Aproveitando nossa presença, a educadora responsável pela atividade apresentou sua adaptação do livro Rede da esperança, que faz parte, inclusive, do projeto Gaiolas literárias, realizado no município e que visa sensibilizar a comunidade para não manter pássaros em cativeiros.

Após outras atividades, as crianças encerraram o dia com o último ensaio para a apresentação do Auto de Natal ecumênico que foi apresentado, no dia seguinte, para os pais, encerrando as atividades do semestre da escola de valores humanos, do grupo Auta de Luz.

Também participamos de uma palestra sobre o poder da imaginação, no espaço prosperidade, de propriedade do instrutor de Yoga Kliger Rocha, que se tornou mais um parceiro no município. Por sua vez, na cidade de João Pessoa, participamos de mais dois eventos: uma oficina de TVI com usuários do Centro de Práticas Integrativas e Complementares Equilíbrio do Ser, mantido pelo SUS, e um mini-curso sobre Animagogia e Mito-estória de Vida, para alunos do curso de ciências das religiões, na UFPB, graças ao convite da profa. Eunice.

participantes no fórum potiguar das PICs

mesa sobre as experiências com as PICs em Natal/RN

Apresentação de Kliger Rocha, instrutor de Yoga

Apresentação de Soraya, focalizadora de danças circulares


adaptação do livro Rede da Esperança 

livros editados pelo Programa Homospiritualis na gaiola literária

livros editados pelo Programa Homospiritualis, divulgados nos eventos

adaptação do livro Rede da Esperança

crianças participantes da escola de valores humanos

horta do CPIC Equilíbrio do Ser, mantido pelo SUS

CPIC Equilíbrio do Ser

CPIC Equilíbrio do Ser

Oficina de TVI no CPIC Equilíbrio do Ser

Participantes da Oficina de TVI no CPIC Equilíbrio do Ser

Auto de Natal ecumênico na escola de valores humanos

Auto de Natal ecumênico na escola de valores humanos

participantes do evento Animagogia e mito-estória de vida, na UFPB

organizadoras do fórum potiguar das PICs

imagem dos principais teóricos que fundamentam a Animagogia

com Ana Tania, professora da UFRN, responsável pela política estadual das PICs,
quando foi secretária estadual de saúde; Lila Carvalho, organizadora do fórum,
e Kliger Rocha, instrutor de Yoga e professor universitário.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

projeto para implantação das PICS em São Carlos será apresentado em NATAL‏



No dia 28 de novembro, dentro da programação do Fórum Potiguar de Práticas Integrativas e Complementares na Saúde, Adilson Marques, professor da FESC e ex-coordenador da ONG Círculo de São Francisco, foi convidado para integrar uma mesa redonda sobre experiências para implantação das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) na saúde pública. Adilson Marques abordará a experiência de São Carlos para implantar as PICs no SUS. A experiência de São Carlos foi considerada inédita no Brasil, por representantes do Ministério da Saúde que estiveram na cidade, no mês de setembro, uma vez que procura integrar duas políticas nacionais: a das PICs, de 2006, e a da Educação Popular e Saúde (EPS), de 2013. 
Em setembro de 2015, um fórum foi realizado na cidade de São Carlos, na FESC Vila Nery, com a participação de representantes do Ministério da Saúde, da Prefeitura Municipal, de ONGs, da UFSCar, do Conselho Municipal da Saúde, de servidores da saúde, entre outros interessados. No encerramento, o fórum elegeu uma comissão responsável por elaborar um plano municipal, integrando as duas políticas nacionais. Em novembro o documento foi concluído e será repassado para análise do Conselho Municipal da Saúde e também para a Prefeitura Municipal.
Em São Carlos, a ONG Círculo de São Francisco mantém, desde 2003, o centro de referência comunitária em tratamentos naturais, complementares, integrativos e populares, que visa o atendimento gratuito da comunidade com diferentes atividades, entre elas, yoga, meditação, dança, constelação familiar e a TVI, uma técnica bioenergética laica e popular criada em São Carlos, entre os anos de 2001 e 2003, similar ao reiki, à cura prânica e outras técnicas de imposição das mãos. Todo o trabalho é feito por voluntários. 
E há vários anos a ONG tenta levar essa experiência para o sistema público de saúde, sem sucesso. Porém, no início de 2015, com o apoio do vereador Zé do Mato (PSDB), autor da lei para implantar a fitoterapia no SUS e que criou a semana da fitoterapia no município, e de suas assessoras, nasceu o projeto do fórum e a discussão para se criar um lei para implantar as PICs e a EPS na cidade de São Carlos. 


reunião no dia 08 de junho que definiu a programação do fórum





grupo de trabalho durante o fórum






grupo de trabalho durante o fórum


palestra sobre fosfoetanolamina com prof. Gilberto Chierici

sábado, 7 de novembro de 2015

Emmanuel Levinas (1906-1995): um sonho hermesiano em uma realidade prometéica

Emmanuel Levinas (1906-1995): um sonho hermesiano em uma realidade prometéica

Adilson Marques - pós-doutorando no departamento de metodologia de ensino da UFSCar
contato: asamar_sc@hotmail.com        
               
                Meu primeiro contato com a obra e o pensamento de Levinas aconteceu entre os anos de 1992 e 1996, durante a realização do mestrado, na FEUSP, sob a orientação da prof. Dra. Roseli Fischmann, que atuava, na época, com educação comunitária e multicultural, e também militava em defesa do estado laico e da diversidade religiosa. A obra de Levinas, com suas reflexões sobre a  alteridade e o respeito ao Outro (ao diferente) fazia parte de seu referencial teórico, que incluía também Martin Buber, Alfred Schutz e outros pensadores.
                Levinas costuma ser chamado de filósofo judeu, mas ele gostava de afirmar que era filósofo e judeu. Porém, é indiscutível a forte presença da religiosidade judaica em seu pensamento, o que talvez explique o motivo de sua obra ser muito mais discutida no ambiente da teologia do que, propriamente, na filosofia.
                Sua obra é classificada dentro da tradição fenomenológica. Levinas foi o primeiro a traduzir a obra de Husserl e de Heidegger para o francês. Porém, com o advento do nazismo e após ser preso em um campo de trabalho forçado na Alemanha, Levinas elabora sua crítica à ontologia de Heidegger e passa a se dedicar à ética, que chama de "filosofia primeira", elaborando seu pensamento em defesa do respeito ao Outro e do valor fundamental da alteridade e da transcendência.  
                Totalidade e infinito (1961) é considerada como sua principal obra, na qual deixa evidente sua crítica à busca por um saber absoluto e totalizante na filosofia ocidental (dos gregos aos alemães) e apresenta sua reflexão sobre o infinito, aprofundando, inclusive, sua reflexão sobre espiritualidade e postulando que a alma pode existir antes da encarnação e continuar existindo após a morte. No prefácio do livro (p. 13) afirma: “Este livro se apresenta como uma defesa da subjetividade, mas ele não a captará no nível de seu protesto puramente egoísta contra a totalidade, nem em sua angústia diante da morte, mas como fundada na ideia do infinito. Avançará distinguindo entre a ideia de totalidade e a ideia de infinito e afirmando o primado da ideia do infinito. Vai descrever como o infinito se produz na relação do Mesmo com o Outro e como, inultrapassável como é, o particular e o pessoal magnetizam de algum modo o próprio campo em que se verifica a produção do infinito."
                Para Levinas, o pensamento do ser, ou seja, a ontologia, conforme Heidegger a considerou, além de ser um pensamento excludente, seria perigoso por defender o privilégio da razão e se mostrar pretensamente neutro, quando estaria a serviço da identidade do "Mesmo"  e da negação ou destruição do "Outro".  Para ele, a razão, desvinculada da ética e da justiça, seria um dos motivos, por exemplo, para a ascensão de Hitler ao poder.  
                Podemos compreender que o ambiente em que viveu boa parte de sua vida era prometéico. O culto à razão, ao progresso, às doutrinas totalizantes formavam o cerne da modernidade. E, paradoxalmente, por questionar o mito prometéico da razão, ele é condenado como Prometeu. E é em sua experiência em um campo de trabalho forçado, perdendo toda sua identidade e humanidade, que consegue enxergar que seus heróis (Husserl e Heidegger) também reforçavam o "Mesmo", estando também inseridos em um pensamento absoluto e globalizador. E, de alguma forma, o próprio Levinas desperta ou rompe com o seu lado heroico marcado pela tentativa de levar uma outra tonalidade de Luz para a França racionalista, introduzindo o pensamento fenomenológico nascido na Alemanha.
                E mesmo não sendo um pensador "pós-moderno", sua proposta filosófica apresenta uma ruptura com o ideal moderno e prometéico que fundam o iluminismo e sua sombra, as sociedades totalitárias de esquerda e de direita. Para Levinas, a razão foi utilizada para neutralizar o Outro, englobando-o e o reduzindo ao Mesmo. E a ontologia heideggeriana não visaria a paz com o Outro, mas a supressão ou posse do Outro. A ontologia, em sua opinião, desemboca na tirania do estado, daí afirmar que a ontologia, sem a ética, seria a filosofia do poder ou a filosofia da injustiça.
                E a segunda fase do trabalho de Levinas, após sua experiência no campo de trabalho forçado, passa a ser a critica à legitimação do domínio do Outro, tanto na filosofia grega como na alemã. A Ontologia passa a ser considerada a "filosofia segunda" uma vez que, a "filosofia primeira" passa a ser a ética, ou a construção da alteridade e de uma relação de justiça com o Outro que, ao mesmo tempo, é transcendental. Ou seja, para Levinas, a busca da transcendência nos leva, inexoravelmente, ao Outro. A transcendência não é negatividade ou negação do mundo, como se esse fosse uma mera ilusão, mas uma abertura para o mundo e, sobretudo, ao Outro com o qual devo aprender a conviver com respeito, construindo, numa linguagem mais atualizada, uma cultura de paz e cooperação.
                E essa relação alquímica ou hermesiana com o Outro é o objetivo da sua ética, abrindo o nosso horizonte para uma perspectiva de não-violência e de justiça, no qual o ideal moderno iluminista (prometéico) que justifica a violência contra o diferente é substituída por um ideal transcendente e metafísico (hermesiano) de abertura e respeito ao Outro. E essa separação do Mesmo só é produzida sob a forma de uma vida interior (psiquismo). Para Levinas, o psiquismo não reflete o ser, mas é uma maneira de ser que resiste à totalidade, uma vez que, a  interioridade instaura uma ordem diferente do tempo histórico em que a totalidade se constitui. A interioridade é justamente a recusa a transformar-se num puro passivo, que figura nunca contabilidade alheia. E é o psiquismo e não a matéria que traz um principio de individualização, daí a relação direta entre a ética e a metafísica em seu pensamento tipicamente hermesiano.
São Carlos, dia 07 de novembro de 2015 - dia de São Vicente Grossi.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Pesquisa evidencia mudança de temperatura em práticas de imposição de mãos

Painel que será apresentado e discutido no II encontro regional de práticas populares de saúde,
na UFSCar, nos dias 23 e 24 de outubro.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

A evidência empírica do aquecimento da mão durante a imposição

Quem atua com técnicas de imposição das mãos, não importando se é o Reiki, o passe, o Johrey etc.,  costuma sentir um aquecimento nas mãos. Porém, não era possível dizer se este calor era real ou imaginação. Com uma câmera termográfica, hoje pela manhã, tivemos a evidência empírica que a mão realmente aquece.
Uma senhora de 55 anos, que sofre de neuralgia trigeminal, do lado direito do rosto, foi atendida na ONG Círculo de São Francisco através da Terapia Vibracional Integrativa (TVI), em uma sessão que durou 12 minutos.  A cada dois minutos, foi tirada uma foto da mão esquerda do terapeuta, que estava sendo imposta na direção do rosto da paciente. Abaixo temos a foto quando a imposição começou e também uma foto doze minutos depois, quando o atendimento estava para terminar.
Através das fotos é possível notar que a temperatura no centro da mão, onde, em tese, localiza-se um chakra, aumentou em 0,9 décimos, ou seja, quase um grau. Em nenhum momento a pessoa foi tocada e a imposição se concentrou durante todo o atendimento na altura da cabeça.
A paciente atendida relatou o seguinte após o atendimento: "no início eu estava com dores no rosto. No final da sessão eu deixei de senti-las. Senti um calor no rosto do lado direito, lado da neuralgia, durante a aplicação."
Essas fotos fazem parte da pesquisa de pós-doutorado de Adilson Marques, sócio-fundados da ONG Círculo de São Francisco, que atende voluntariamente com a TVI. A pesquisa está sendo realizada na UFSCar, e visa estudar os efeitos da meditação e de técnicas de imposição das mãos em pessoas com mais de 40 anos de idade.
foto tirada no início da sessão de TVI, com paciente que sofre de neuralgia trigeminal 
foto tirada 12 minutos depois, no encerramento da sessão de terapia


sábado, 1 de agosto de 2015

A difícil relação entre ciência e espiritualidade


O desejo de legitimar uma crença religiosa ou espiritualista como sendo científica, traz mais consequências negativas do que positivas para o movimento espiritualista como um todo, pois a resistência da comunidade acadêmica aumenta com tantos disparates chamados de "comprovação científica". Tomemos, por exemplo, o ensinamento de Saint Germain, presente em um de seus livros, que afirma ser possível pelo poder da mente ir dormir no corpo de um homem negro africano e acordar no corpo de uma mulher loira e alemã.
No plano das crenças, nada contra. Porém, não há nenhuma evidência científica desse processo, o que não significa dizer que não possa acontecer.
Mas se alguém escrever que a física quântica comprova que isso acontece, precisa demonstrar de fato, dentro das regras científicas.
Da mesma forma, encontramos livros afirmando que é possível controlar com a mente todos os fenômenos naturais, o que implica aceitar que podemos fazer chover ou parar uma chuva, criar eclipse lunar ou solar, parar o degelo dos polos etc. com o poder da mente. Também não há evidência científica desse processo, o que leva a comunidade científica a ignorar afirmações como a de Lauro Trevisan que escreve que a "física quântica comprova que a mente cria a matéria e a transforma."
Porém, desde a década de 1970, há pesquisas no campo da neuroimunomodulação e da psiconeuroimunologia que reconhece, com evidências, há existência de interação entre o sistema nervoso (que na essência é um monte de átomos) e o sistema imune, e reconhecendo que a mente pode enfraquecer ou fortalecer o nosso sistema imunológico, favorecendo ou dificultando, assim, a ação de fungos, vírus, bactérias etc. (que também são, essencialmente, formados por átomos). Porém, nada disso garante que houve uma "cura quântica", pois não há evidências que átomos fiquem doentes. A célula sim pode se deteriorar e morrer, liberando os átomos que a formam.
E da mesma forma que o eletromagnetismo e a psicanálise foram, no passado, usadas para legitimar crenças espiritualistas e religiosas, hoje a bola da vez é a física quântica e amanhã será outra disciplina científica.
E entrando no mérito das reflexões sobre espiritualidade e física quântica, os argumentos ou pressupostos teóricos são facilmente derrubados o que não significa dizer que o status quo não quer que as pessoas conheçam a "verdade", quando tais teorias são ignoradas pela comunidade acadêmica. Por exemplo, Capra (o tao da física) fará essa ponte entre ciência e espiritualidade partindo do pressuposto que o vácuo (vazio) quântico corresponde ao Tao, à Brahman ou a "realidade última" dos budistas. Essa hipótese não é aceita por vários espiritualistas e nem por vários adeptos da psicologia transpessoal que também procuram trilhar essa ponte entre a ciência e a espiritualidade.
Por outro lado, há autores que vão afirmar que o ato de olhar para o elétron faz com que ele deixe de ser onda e se torne partícula, justificando assim, que o ser humano cria a matéria. Essa é a tese central, por exemplo, de Lauro Trevisan e demais autores que afirmam ser possível controlar todo e qualquer fenômeno natural. Porém, o que os físicos realmente afirmam é que o instrumento criado para se medir o comportamento de um elétron interfere no resultado final.
Enfim, esse é um campo que merece ser trilhado, mas com método e paciência, e não apenas no afã de legitimar uma crença espiritualista, seja ela qual for.
São Carlos, 01 de agosto de 2015