domingo, 19 de junho de 2016

A Animagogia e o humanismo católico progressista de Ernani Maria Fiori: alguns diálogos



Adilson Marques - asamar_sc@hotmail.com

A Animagogia é uma proposta de educação espiritualista nascida a partir da tese de doutorado defendida na USP chamada "Nossas lembranças mais pessoais podem vir morar aqui". Ela visa despertar os atributos do espírito na vida cotidiana (Amor, felicidade, equanimidade etc.) e concebe que a transcendência se alcança através do mergulho na vida, na imanência. E ela se fundamenta em autores que também são caros para o pensamento de Fiori, com os filósofos e judeus Martin Buber e Emmanuel Lévinas, o jesuíta  Teilhard de Chardin e o carismático e emblemático educador Paulo Freire.
Com base em algumas passagens do livro Educação e Política (textos escolhidos volume 2), que apresenta a transcrição de aulas e conferência de Ernani Maria Fiori, é possível ter acesso as bases de seu pensamento ou de sua cosmovisão que é identificada pelos organizadores do livro, Otília Beatriz Fiori Arantes e Paulo Eduardo Arantes, como sendo um "humanismo católico progressista", daí adotarmos essa nomenclatura para identificar seu pensamento.
Nas páginas 11 e 12, na apresentação do livro, uma citação dos organizadores ao apresentar a questão da ideologia, já evidencia que ele não foi marxista: "por que muitos de nós, na recente 'guerra de legalidade', chegamos atrasados em relação aos marxistas, aos militantes, que imediatamente tomaram posição? qual foi a superioridade tática e técnica deles em relação à nós, que também pretendíamos defender a legalidade, mas numa outra perspectiva, em nome de outros valores?"  Na página 142, essa frase aparecerá contextualizada na discussão sobre a  ideologia, na qual expõe um outro ponto de vista, definindo a ideologia como ideia-força, como veremos adiante.
E na página 19, no texto intitulado aspectos da reforma universitária, que apresenta a transcrição de uma palestra realizada em 1962, antes de abordar seu conceito de cultura e de universidade, Fiori vai expor com mais detalhe sua cosmovisão. É uma passagem curta, mas que deixa patente o seu referencial . Ele afirma que não é "essencialista" e nem é "existencialista". Em suas palavras, afirma: "em se tratando de homem, não sou nem essencialista, pois não ponho, de maneira absoluta, a essência antes da existência, nem existencialista, ao modo de Sartre, por não admitir que a existência preceda a essência." (p. 19)
Porém, mesmo admitindo que não é essencialista, pois teria que aceitar que haveria um princípio que permaneceria sempre igual a si mesmo, como acontece, em tese, com os adeptos do hinduísmo, o  que não é o caso de Fiori, podemos compreender que sua cosmovisão, como ele mesmo afirma na página 23, sofre influência de dois pensadores espiritualistas evolucionistas:  Teilhard de Chardin e Henry Bergson.  A partir desse esclarecimento, fica mais fácil compreender os fundamentos do humanismo católico progressista de Fiori, que admite a presença de uma essência que se "conquista" através da existência, através da criação da história e da cultura. E, no campo político, deixa evidente na transcrição de sua palestra, a sua opção por um socialismo democrático afirmando que "a socialização deve ser integração personalizante e não despersonalizante, não a socialização que sufoca, abafa e faz morrer a personalidade na pessoa humana, mas, ao contrário, que, pelo adensamento da comunhão humana, propicia as verdadeiras condições de livre afirmação do espírito." (p. 34)
E a questão do espírito é fundamental em sua cosmovisão, tanto que a "libertação" que é um ideologema fundamental no pensamento de Fiori acontece em 3 dimensões que podem ser alienantes: a libertação econômica, a social e a religiosa.
Apesar de não fazer referências a Lévinas, mas a um outro pensador judeu, Martin Buber, podemos encontrar semelhança entre a noção de transcendentalismo proposta por ele e a de Lévinas, conforme exposta em Totalidade e Infinito. Ou seja, ambos não negam a imanência. Fiori afirma: "o Transcendente, embora essencialmente distinto do imanente está presente na imanência das coisas e da História.  E o religioso autêntico não é o que se aliena num transcendente que desconhece o mundo e a História, mas o que, na história do mundo, faz encarnação concreta dos grandes valores que luzem além das fronteiras de sua finitude." (p. 34)
Essa concepção de transcendentalismo que, como salientamos, se aproxima da realizada por Lévinas, para quem a transcendência se processa quando nos abrimos para o mundo, para o outro, faz com que a pedagogia de Fiori seja eminentemente voltada para a "libertação", para a práxis histórica, porém, não em uma perspectiva marxista, uma vez que Fiori propõe uma outra maneira de se pensar a constituição da consciência humana.
Retomando Chardin, Fiori tomara emprestado o conceito de noosfera, ou seja, a "superfície espiritual" que envolve a biosfera e, de forma otimista, aponta que ela possui "amor na origem e na destinação da história" (p. 104). Porém, o homem (encarnado) nunca chegará a realizar-se plenamente.  Pelo menos no que se refere à temporalidade, ou seja, à história.  Outra coisa é a realização espiritual, que na ótica cristã de Fiori, o levará a pensar a política como práxis submissa aos valores morais e espirituais. O contrário disso seria o "politicismo"(p. 139).
O fazer político proposto por Fiori estaria para além das questões pensadas por  Maquiavel e por Kant, pois, a moral do cristão seria o "bem" e não, necessariamente, o "dever". Este seria uma decorrência do primeiro. E, assim, a integração do cristão na sociedade ou seu compromisso com a história é, também, um "compromisso moral" (p. 142).
Como salientamos, a ideologia assume na perspectiva de Fiori um papel importante e se distingue daquela discutida por Marx. Enquanto para este a ideologia é uma forma alienada de existência e que deve ser superada, para Fiori trata-se de uma ideia-força que interfere no processo histórico para interpretá-lo e transformá-lo. Em outras palavras, a interferência na práxis histórica é feita através da ideologia  (p. 166) e não, necessariamente, da filosofia. Esta seria a responsável por um mergulho interior no próprio mistério do ser (p. 166) ou seja, da "energia criadora",  daquilo que "dá consistência aos seres",  do "espírito".
E a partir dessa distinção entre a ideologia e a filosofia, podemos compreender sua noção de trabalho:  a "expressão de uma consciência espiritual transformadora do mundo" (p. 170).
Após essa apresentação sintética de seu pensamento, apoiado pela leitura da transcrição de suas aulas e palestras, vamos  apresentar 3 questões para um diálogo fratriarcal entre seu pensamento e o que identificamos como Animagogia.
A primeira é em relação a essência. De um ponto de vista mais restrito que pensa o essencialismo como a doutrina que defende que a essência permanece inalterada ou que não se transforma apesar dos "acidentes" da existência, concordamos com Fiori e não identificamos a Animagogia como essencialista. Mas, de um ponto de vista mais amplo, entendendo por essencialismo a doutrina que defende que há uma essência que antecede a existência e que pode, inclusive, reencarnar, então a Animagogia é essencialista e se distingue nesse ponto metafísico da proposta de Fiori. Essa questão, porém, não entra em conflito com a questão da transcendência, da práxis e da libertação, sobretudo, a religiosa (que preferimos tratar como espiritual), pois como salientamos, tanto em seu pensamento como nos pressupostos da Animagogia, a transcendência não se alcança fugindo ou se isolando do mundo, mas, ao contrário, na vivência profunda do mundo, na abertura ao outro, na alteridade.
A segunda será em relação à noção de noosfera. Como Fiori, entendemos ela como a dimensão espiritual e, como afirma, amorosa na origem e na destinação da história. Mas, entre a noosfera e a biosfera identificamos na Animagogia uma outra dimensão intermediária que chamamos de psicosfera, ou formada pelas  energias psíquicas como são as emoções e os pensamentos (ideias). Na psicosfera nascem as criações científicas, religiosas, filosóficas, artísticas, entre outras. Porém, a base arquetípica dessas criações está em  uma dimensão "acima", que chamamos de noosfera. Aqui reside o imaginário, no sentido mais profundo, e que é base das ideologias e das criações mentais humanas que se materializam, através do trabalho e da práxis, na biosfera.  E essa posição nos leva, forçosamente, a ter uma diferente concepção de imaginário também. Enquanto para Fiori este é sinônimo de fantasioso (p. 110), vamos partir da perspectiva de Gilbert Durand, próxima da proposta por Jung, e que resulta, inclusive, nesta diferente proposta de noosfera, exposta acima, e na inserção de uma outra, a psicosfera, ou plano das energias psíquicas que, segundo Jung, não se tinha como quantificar (quantizar), apenas sentir suas intensidades e qualificá-las.
E por fim, a terceira questão que colocamos está na libertação. Além das três pensadas por Fiori (econômica, social e religiosa), inserimos, na Animagogia, a libertação ambiental, ou seja, a necessidade de libertar a natureza e a Terra, de forma geral, da opressão humana, de forma que os animais, as plantas e os elementos naturais deixem de serem pensados como recursos, e passem a ter seus direitos à vida garantidos.
O pensamento de Fiori, fundamental no nascimento da teologia da libertação, é tratado com muito respeito na Animagogia, apesar das diferenças expostas acima, o que não impede um diálogo fratriarcal e também uma união na busca por uma sociedade mais justa, participativa e que vivencie, de fato, uma cultura de paz.

FIORI, Ernani Maria. Textos escolhidos volume 2 (Educação e Política). Porto Alegre: LP&M, 1991.


São Carlos, 19 de junho de 2016 - dia de São Romualdo, monge que se interessou pelos problemas de seu tempo, tornando-se conhecido por ser uma pessoa contemplativa, mas também ativa.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

I Encontro Umbanda, Cultura de Paz e Educação Popular

Aconteceu entre os dias 16 e 19 de maio, na cidade de Cascais, na região metropolitana de Lisboa, em Portugal, o I encontro Umbanda, Cultura de Paz e Educação Popular. O evento foi organizado por vários terreiros de Portugal com o apoio da ONG Círculo de São Francisco.
No evento, que reuniu 50 pessoas, foi apresentado o trabalho de educação popular mantido pela ONG, em São Carlos, o trabalho de valorização da cultura de paz, através do estímulo à diversidade religiosa no município, e os fundamentos da Espiritologia, que é o uso das técnicas da História Oral para se entrevistar espíritos, que foi utilizada na obtenção de dados para a edição de 3 livros: saúde e espiritualidade, a psicosofia de Lao Tsé, Krishna e Buda e, o mais importante deles, História Oral, Imaginário e Transcendentalismo: mitocrítica dos ensinamentos do espírito pai Joaquim de Aruanda. Os participantes também foram capacitados nas principais técnicas da Terapia Vibracional Integrativa (TVI) e na Apometria, técnica de tratamento psíquico criada pelo médico brasileiro José Lacerda.
O evento marcou também o lançamento de alguns livros em Portugal, como os que formam a coleção Cultura de Paz e Mediunidade e os cadernos de Animagogia, com os exemplares sobre Umbanda e também sobre a TVI.
O evento aqueceu o frio e o vento forte e gelado que estiveram presentes do lado de fora do terreiro nos 4 dias do encontro.
pessoas presentes no último dia do encontro com seus certificados de participação




Adilson Marques, da ONG Círculo de São Francisco e coordenador do Programa Homospiritualis, e Virgina, responsável pelo terreiro de umbanda Ogum Rompe Mato, onde aconteceu o evento.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

São Carlos participa da semana nacional das PICs

Comemorando 10 anos da política nacional de Práticas Integrativas e Complementares, os municípios brasileiros foram convidados para organizarem eventos entre os dias 01 e 08 de maio. Nas cidades onde o poder público municipal não realiza nada na área, estimulou-se que a própria comunidade ou entidades do terceiro setor que atuam com o tema fizessem alguma coisa.
Para que a cidade de São Carlos não ficasse de fora, a ONG Círculo de São Francisco, que integra também o Projeto MAPEPS da UFSCar, convocou uma reunião em sua sede para elaborar um evento. Entre os dias 01 e 07 de maio, uma rica programação aconteceu na cidade, com a apresentação da proposta de uma política municipal das PICs, que começou a ser pensada em 2015 e já foi aprovada pelo conselho municipal da saúde, em janeiro deste ano, e diferentes práticas como a constelação familiar, a Yoga tibetana, a massagem tailandesa, práticas japonesas de saúde e também a Terapia Vibracional Integrativa (TVI), uma proposta terapêutica e de anima-ação cultural criada em São Carlos, a partir de uma perspectiva de educação popular em saúde. A TVI une práticas de chi kung, meditação e imposição das mãos, que são ensinadas e difundidas sem misticismo ou elitismo, de forma que possa ser praticada pelos mais diferentes grupos sociais, daí seu ensinamento ser focado, principalmente, para animadores culturais, educadores sociais e comunitários, agentes de saúde e outras pessoas envolvidas diretamente com populações marginalizadas e excluídas, que dificilmente teriam acesso a essas práticas, popularizando-as.
oficina de massagem tailandesa

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Pedagogia da esperança: a amorosidade e a dialogia necessárias


Adilson Marques - doutor em Educação pela USP, pós-doutorando em Educação e professor visitante na UFSCar
"Hoje não há razões para otimismo.
Hoje só é possível ter esperança.
Esperança é o oposto do otimismo.
Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro.
Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração.
Camus sabia o que era esperança. São suas as palavras: "e no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível".
Otimismo é alegria "por causa de": coisa humana, natural.
Esperança é alegria "a despeito de": coisa divina. 
O otimismo tem suas raízes no tempo.
A esperança tem suas raízes na eternidade. 
O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre.
A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo.
Hoje, é tudo o que temos: morangos à beira do abismo, alegrias sem razões. A possibilidade da esperança" (Rubens Alves)  

Paulo Freire (1921-1997) apesar do discurso carismático que possuía e de ser frequentemente  venerado por muitos educadores, também foi alvo de severas críticas, sendo acusado tanto de "elitista" como de "populista". Os marxistas criticam sua obra por não afirmar necessariamente que a "luta de classes é o motor da história". Por outro lado, o movimento anti-marxista o critica por fazer "doutrinação comunista", imputando a Paulo Freire a culpa pela falência da educação brasileira, afirmando que o seu método de alfabetização de jovens e adultos seria o responsável pelo alto índice de analfabetismo funcional no país e também de plágio, pois teria se apropriado do método Laubach, sem citar as necessárias fonte. Estas e outras críticas podem ser facilmente encontradas na internet, em sites e blogs que procuram criticar Paulo Freire, sua obra e seu pensamento.
Um dos livros mais comentados, e não necessariamente lidos, é Pedagogia do Oprimido, cuja primeira edição ocorreu em 1970, registrando as experiências de Paulo Freire no Brasil, no Chile e na Europa, além de apresentar as primeiras sistematizações de sua teoria sobre educação popular. Em 1992, porém, publicou a primeira edição de Pedagogia da Esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido, livro no qual expõe uma reflexão autobiográfica e memorialista, ao mesmo tempo crítica e compreensiva, revisitando seus conceitos, pontos de vista e experiências políticas e educativas vivenciadas a partir da década de 1940 e que foram fundamentais para a escrita do livro Pedagogia do Oprimido. Esta revisão tem por base as experiências durante o período de redemocratização do país, com fatos marcantes como o impeachment do presidente Collor e sua passagem como secretário de educação em São Paulo (1989-1991).
Como um ser neótono neg-entrópico, ou seja, aberto para o mundo, lúdico-explorador e permanentemente incompleto e inacabado, Paulo Freire faz uma autocrítica, expondo como superou a linguagem machista do livro anterior, e respondendo a várias das críticas normalmente endereçadas ao seu trabalho.
As críticas recentes à Paulo Freire (a partir de 2012), expostas na internet através de sites e blogs estão associadas diretamente à guinada "conservadora" verificada no Brasil, que tem o partido dos trabalhadores (PT) e todas as pessoas relacionadas a ele, como o bode expiatório do momento, os culpados pela crise política, econômica, social e moral brasileira. E Paulo Freire, apesar de sempre se posicionar contra qualquer forma de autoritarismo ou doutrinação, de esquerda ou de direita, acabou sendo envolvido por tais críticas, quase todas superficiais e facilmente refutadas, como se pode compreender pela leitura do livro Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido.
Não de forma saudosista, o livro transita pelo contexto em que o livro Pedagogia do oprimido foi escrito, apresentando constantes reavaliações de pontos de vista através de um diálogo entre dois momentos históricos separados por quase 30 anos. Mais do que um estudo comparativo desses dois momentos, o livro expõe o amadurecimento pessoal, político e também como educador de Paulo Freire, mas mantendo um ponto central inabalável: o devotamento à tolerância, a marca profunda de sua vida e pensamento.
Curiosamente, hoje, em 2016, ao lermos o livro Pedagogia da esperança, não parece que já se passaram 24 anos de sua primeira edição. Os fatos políticos atuais lembram muito os de 1992 e também os da década de 1960. E se em 1992 acontecia o impeachment de Collor, hoje vivenciamos o da presidente Dilma. A corrupção, presente na ditadura militar, na década de 1990 e ainda hoje, continua a manchar e a caracterizar a vida pública no Brasil, nos governos de direita ou de esquerda. Os extremismos políticos  voltam a ganhar força diante de mais uma crise econômica e moral, na qual políticos investigados por corrupção tentam cassar uma presidente que supostamente cometeu um crime de responsabilidade fiscal que, até recentemente, era prática administrativa reconhecida pelo Tribunal de Contas da União (TCU), sendo utilizada por presidentes que a antecederam.
Com a crescente intolerância por quem pensa diferente, seja na religião, na política e até mesmo no futebol, nossa frágil democracia parece não ser capaz de se sustentar, deixando pouca margem de atuação para quem se propõe a refletir sobre sonho e utopia, as "armas" que Paulo Freire nos apresenta, envolto em esperança e crença na possibilidade das mudanças pelas quais ele sempre defendeu: a amorosidade nas relações e o diálogo fratriarcal entre todos, respeitando as diferenças. Mas, se está difícil ser otimista, nos resta a esperança que Paulo Freire pensava e a vivenciava como um imperativo existencial e histórico.
E nesse reencontro existencial com a Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire relata duas experiências fundamentais para o nascimento de sua teoria e método:
A primeira foi a fala de um operário, na década de 1960 (que não iremos aqui reproduzir, mas que se encontra presente no texto supracitado),.após fazer uma palestra para pais de alunos do SESI, onde trabalhava, abordando o tema da autoridade e da liberdade, enfatizando a questão dos castigos e prêmios na educação. Essa fala foi de fundamental importância para que ele passasse a respeitar a vida concreta das pessoas. Paulo Freire afirma ter jamais esquecido tal fala e que foi sua esposa Elza que o fez compreender a necessidade de entender as pessoas e não apenas ser entendido por elas. Sobre essa questão, ele nos narra:

Nas idas e vindas da fala, na sintaxe operária, na prosódia, nos movimentos do corpo, nas mãos do orador, nas metáforas tão comuns ao discurso popular, ele chamava a atenção do educador ali em frente, sentado, calado, se afundando em sua cadeira, para a necessidade de que, ao fazer o seu discurso ao povo, o educador esteja a par da compreensão do mundo que o povo esteja tendo. Compreensão do mundo que, condicionada pela realidade concreta que em parte a explica, pode começar a mudar através da mudança do concreto. Mais ainda, compreensão do mundo que pode começar a mudar no momento mesmo em que o desvelamento da realidade concreta vai deixando expostas as razões de ser da própria compreensão tida até então.
A mudança da compreensão, de importância fundamental, não significa, porém, ainda, a mudança do concreto.
O fato de jamais haver esquecido a trama em que se deu aquele discurso é significativo. O discurso daquela noite longínqua se vem pondo diante de mim como se fosse um texto escrito, um ensaio que eu devesse constantemente revisitar. Na verdade, ele foi o ponto culminante no aprendizado há muito iniciado – o de que o educador ou a educadora progressista, ainda quando, às vezes, tenha de falar ao povo, deve ir transformando o ao em com o povo. E isso implica o respeito ao "saber de experiência feito” de que sempre falo, somente a partir do qual é possível superá-la. (p. 14)
Essa abertura compreensiva ao outro, respeitando seus pontos de vista, saberes e experiências foi de tal forma interiorizado que passou a ser a essência do trabalho pedagógico proposto por Paulo Freire, que, ao invés de doutrinar ou passar conteúdos, visa valorizar a amorosidade e a dialogia na relação pedagógica.
E essa fala tão paradigmática desse operário se juntou ao sofrimento vivenciado entre os 22 e 29 anos de idade. A superação desse sofrimento existencial se deu quando conseguiu se "distanciar" do problema e meditar sobre o mesmo. Paulo Freire afirma a esse respeito:
Quando o mal-estar era pressentido, eu procurava ver o que havia em torno de mim, procurava roer e relembrar o que ocorrera no dia anterior. Reescutar o que dissera e a quem dissera, o que ouvira e de quem ouvira. Em última análise, comecei a tomar meu mal-estar como objeto de minha curiosidade. "Tornava distância” dele para apreender sua razão de ser. Eu precisava, no fundo, de iluminar a trama em que ele se gerava. (p. 15)

Este sofrimento só foi superado, conta Paulo Freire, após fazer uma "arqueologia" da dor que sentia, voltando ao passado, a Jaboatão, onde nasceu, e reviver sua infância e a morte do pai. Posteriormente, essa superação do sofrimento foi importante também para compreender o problema vivido por muitos exilados que conheceu:
Na verdade, um dos sérios problemas do exilado ou exilada está em como lidar, de corpo inteiro, com sentimentos, desejos, razão, recordação, conhecimentos acumulados, visões do mundo, com a tensão entre o hoje sendo vivido na realidade de empréstimo e o ontem, no seu contexto de origem, de que chegou carregado de marcas fundamentais. No fundo, como preservar sua identidade na relação entre a ocupação indispensável no novo contexto e a pré-ocupação em que o de origem deve constituir-se. Como lidar com a saudade sem permitir que ela vire nostalgia. Como inventar novas formas de viver e de conviver numa cotidianidade estranha, superando assim ou reorientando uma compreensível tendência do exilado ou da exilada de, não podendo deixar de tomar, pelo menos por largo tempo, seu contexto de origem como referência, considerá-la sempre melhor do que o de empréstimo. Às vezes, é melhor mesmo, mas nem sempre o é. (p. 17)

Essa relação entre o Eu e o Outro, tão cara ao discurso fenomenológico e existencial, marca profundamente também o discurso político e pedagógico de Paulo Freire, afastando-o de todo fatalismo, seja o conservador ("Deus quer que seja assim e não se pode fazer nada") ou o de esquerda ("o socialismo é inexorável e vai acontecer, não precisamos fazer nada"). A violência verificada em Pernambuco, tanto em Recife, como no Agreste e também na suposta "liberdade" vivida pelos caiçaras, levou Paulo Freire a compreender que a educação é subjugada pela sociedade global e, a partir dessa perspectiva,  propõe uma pedagogia que não se vincula nem ao voluntarismo de setores da esquerda e nem fica refém do objetivismo mecanicista das pedagogias conservadoras. Enquanto a primeira é uma espécie de "idealismo brigão" e a segunda uma "negação da subjetividade", a proposta de Paulo Freire procura nem atribuir à educação um poder que ela não tem e nem negar qualquer poder a ela. Podemos notar que, a todo momento, Paulo Freire procura fugir de todo e qualquer reducionismo dicotomizador. A mesma lógica aparece quando discute as relações autoridade-liberdade. Para Paulo Freire, ao negar à liberdade o direito de afirmar-se, exacerbamos a autoridade, mas, atrofiando esta, hipertrofiar aquela. Em suma, os dois extremos podem levar à tirania da liberdade ou à tirania da autoridade, ambas nocivas à incipiente e constantemente ameaçada democracia brasileira.
E, ao contrário do que muitos de seus críticos afirmam, a proposta de educação popular proposta por Paulo Freire não foi abraçada por comunistas ou outros grupos de esquerda mais propensos à doutrinação do que à educação. Em 1982, Paulo Freire afirmava sobre a experiência que o levou a propor a pedagogia do oprimido:
Hoje, passados quase trinta anos, se percebe facilmente o que só alguns percebiam e já defendiam na época e eram às vezes considerados sonhadores, utópicos, idealistas, quando não “vendidos aos gringos”. Que só uma política radical, jamais, porém, sectária, buscando a unidade na diversidade das forças progressistas, poderia lutar por uma democracia capaz de fazer frente ao poder e à virulência da direita. Vivia-se, porém, a intolerância, a negação das diferenças. A tolerância não era o que deve ser: a virtude revolucionária que consiste na convivência com os diferentes para que se possa melhor lutar contra os antagônicos. (p. 20)
E, a partir de sua experiência com a educação popular no Chile, através dos "círculos de cultura", Paulo Freire expõe sua divergência com a pedagogia doutrinante, que alguns de seus críticos tentam imputar à sua obra, apontando o que chama de "equívocos" cometidos por intelectuais de esquerda que ignoram o papel da linguagem e que não escapam da "incontenção verbal":
uma das tarefas da educação democrática e popular, da Pedagogia da esperança – a de possibilitar nas classes populares o desenvolvimento de sua linguagem, jamais pelo blablablá autoritário e sectário dos “educadores”, de sua linguagem, que, emergindo da e voltando-se sobre sua realidade, perfile as conjecturas, os desenhos, as antecipações do mundo novo. Está aqui uma das questões centrais da educação popular – a da linguagem como caminho de invenção da cidadania. (p. 20)
A proposta de Paulo Freire de transformar o educando em um "sujeito cognoscente" e não como a "incidência do discurso do educador" é o que transforma o ato de ensinar em uma ação política emancipadora ou libertária que transcende o sectarismo e o fatalismo de esquerda, que tanto incomodava Freire, como nessa passagem elucidativa:

Na verdade, o clima preponderante entre as esquerdas era o do sectarismo que, ao mesmo tempo em que nega a história como possibilidade, gera e proclama uma espécie de “fatalismo libertador”. O socialismo chega necessariamente... por isso é que, se levarmos às últimas consequências a compreensão da história enquanto "fatalismo libertador”, prescindiremos da luta, do empenho para a criação do socialismo democrático, enquanto empreitada histórica. Somem, assim, a ética da luta e a boniteza da briga. Creio, mais do que creio estou convencido, de que nunca necessitamos tanto de posições radicais, no sentido em que entendo radicalidade na Pedagogia do oprimido, quanto hoje. Para superarmos, de um lado, os sectarismos fundados nas verdades universais e únicas; do outro, as acomodações "pragmáticas” aos fatos, como se eles tivessem virado imutáveis, tão ao gosto de posições modernas, os primeiros, e modernistas, as segundas, temos de ser pós-modernamente radicais e utópicos. (p. 27)

A partir da página 34 Paulo Freire começa a revisão do livro pedagogia do oprimido, apontando, entre outros problemas, a linguagem machista que o mesmo trazia, reconhecendo esse "erro" e buscando superá-lo. Mas também questiona a suposta difícil leitura do livro. Sua fala revela que ele não era adepto do estudo sem compromisso, como alguns de seus críticos afirmam. Na passagem abaixo, pode se notar sua enfática defesa do ato de estudar como algo que exige compromisso e dedicação:
Ler um texto é algo mais sério, mais demandante. Ler um texto não é "passear” licenciosamente, pachorrentamente, sobre as palavras. É apreender como se dão às relações entre as palavras na composição do discurso. É tarefa de sujeito crítico, humilde, determinado.
Ler, enquanto estudo, é um processo difícil, até penoso, às vezes, mas sempre prazeroso também. Implica que o(a) leitor(a) se adentre na intimidade do texto para apreender sua mais profunda significação. Quanto mais fazemos este exercício disciplinadamente, vencendo todo desejo de fuga da leitura, tanto mais nos preparamos para tornar futuras leituras menos difíceis.
Ler um texto, sobretudo, exige de quem o faz, estar convencido de que as ideologias não morreram. Por isso mesmo, a de que o texto se acha empapado ou, às vezes nele se acha escondida, não é necessariamente, a de quem vai lê-lo. Daí a necessidade que tem o leitor ou a leitora de uma postura aberta e crítica, radical e não sectária, sem a qual se fecha ao texto e se proíbe de com ele aprender algo porque o texto talvez defenda posições antagônicas às do(a) leitor(a). Às vezes, o que é irônico, as posições são apenas diferentes.
Em muitos casos nem sequer temos lido a autora ou o autor. Temos lido sobre ela ou ele e, sem a ela ou a ele ir, aceitamos as críticas que lhe são feitas. Assumimo-las como nossas. (p. 40)
Para encerrar esta primeira reflexão sobre a atualidade da proposta de Paulo Freire e do equívoco da crítica que tenta impor a Paulo Freire a culpa por uma educação doutrinante ou alienante, podemos citar duas frases exemplares que demonstram que ele apesar de sonhador e progressista, não aceitava o mundo iconoclástico e pasteurizado proposto pelos autoritários de "direita" ou de "esquerda":
O que se exige eticamente de educadoras e educadores progressistas é que, coerentes com seu sonho democrático, respeitem os educandos e jamais, por isso mesmo, os manipulem. (p. 42)


Criticar a arrogância, o autoritarismo de intelectuais de esquerda ou de direita, no fundo, da mesma forma reacionários, que se julgam proprietários, os primeiros, do saber revolucionário, os segundos, do saber conservador; criticar o comportamento de universitários que pretendem conscientizar trabalhadores rurais e urbanos sem com eles se conscientizar também; criticar um indisfarçável ar de messianismo, no fundo ingênuo, de intelectuais que, em nome da libertação das classes trabalhadoras, impõem ou buscam impor a “superioridade” de seu saber acadêmico às "incultas massas”, isto sempre fiz. E disto falei quase exaustivamente na Pedagogia do oprimido. E disto falo agora, com a mesma força, na Pedagogia da esperança. (p. 41)

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Um caso de regressão espontânea tratado com a apometria


Adilson Marques - asamar_sc@hotmail.com

No último sábado, ministrando um curso de Apometria, na cidade de São Carlos, em um determinado momento em que se discutia a questão da regressão de memória, lembrei-me de um atendimento que aconteceu, provavelmente, em 2007.
Estávamos realizando atendimentos quando chegou um casal trazendo uma menina de 12 anos que, em transe, ficava gritando: "Ana! me tira daqui! Ana! me tira daqui!"... tivemos que pedir aos demais consulentes para que permitissem que ela fosse atendida antes dos demais, devido à gravidade do caso. 
Naquela noite, quando a jovem chegou, uma médium estava incorporando um preto-velho e eu perguntei a ele se a menina estava obsediada. Ele disse que não, que ali era um caso de regressão espontânea de memória e me pediu para continuar o processo. Eu perguntei se deveria conduzir com as técnicas da Apometria e ele confirmou.
Com certo receio, cheguei perto da menina e perguntei: "Você pode me dizer onde você está?" E ela respondeu: "estou me afogando na represa."
E comecei a usar a apometria para ajudar no processo estabelecendo com ela um diálogo mais ou menos assim:

_ Eu vou dar um comando para tirar você dessa cena e para você me dizer o que acontece em seguida (e dei os pulsos energéticos).
_ Eu morri e estou sendo levada para um lugar muito bonito
_ Então você foi socorrida? não está mais sofrendo?
_ Não! agora está tudo bem... que lugar bonito...
_ Mas você não pode continuar aí, você precisa reencarnar... vou dar um comando para você acessar como foi sua preparação para o reencarne (e dei novamente os pulsos).
_ Eu preciso voltar, preciso reencarnar. E a Ana, que foi minha prima e que me levou até a represa porque queria me matar é que vai ser a minha mãe na nova encarnação.
_ E você a perdoou?
_ Sim, somos grandes amigas. Eu a perdoei.
_ Ótimo, isso que importa. Então agora eu vou dar um comando para você voltar para o presente, para o aqui e agora (e dei os pulsos).

Gradativamente a menina foi saindo do transe, foi abrindo seus olhos e "despertou" bem e feliz.
A mãe ficou emocionada com a história e abraçou a filha, pedindo perdão pelo que tinha acontecido no passado e que a amava muito.
Felizmente, a menina foi ajudada a resolver um problema espiritual. Se tivesse sido levada a um hospital, provavelmente seria sedada e quem sabe estaria internada em algum hospital psiquiátrico, sendo tratada como esquizofrênica.

São Carlos, 29 de fevereiro de 2016

sábado, 13 de fevereiro de 2016

um passeio por alguns dos principais santuários católicos nos arredores de Lisboa



Adilson Marques - asamar_sc@hotmail.com

Eu tenho um amigo espiritualista que diz se orgulhar de nunca ter entrado em uma igreja católica. Apesar de respeitar essa opinião, eu, ao contrário, tenho uma grande admiração pelas construções e me sinto agraciado pela energia que emanam. Talvez o fato de ter vivido uma possível encarnação como bispo, na virada do século XVII para o XVIII tenha alguma influência neste respeito e admiração que tenho pelos templos católicos, sobretudo, os franciscanos e os marianos.

Algumas pessoas dizem que sentem uma energia pesada nestes locais, principalmente os que foram construídos durante a Idade Média. Mas eu não sinto nada de negativo neles.

E aproveitando uma recente viagem para Lisboa, onde ministrei cursos de apometria e algumas palestras, aproveitei para conhecer um pouco destes "pontos de luz". E o início da jornada foi na bela cidade de Santarém, distante  80 km de Lisboa, onde residem cerca de 30 mil privilegiadas pessoas. Lá, visitei as ruínas do castelo de Santarém, hoje um parque público, e de onde se tem uma bela vista da cidade, e também o convento de São Francisco e a igreja gótica de Nossa Senhora da Graça (de Santo Agostinho) onde se encontram os restos mortais de Pedro Alvares Cabral.  A catedral estava fechada e não foi possível conhecer o seu interior, assim como outras igrejas, entre elas a de Santa Clara.  

convento de São Francisco, em Santarém.

Castelo de Santarém

Castelo de Santarém

Voltando para Lisboa, a segunda parada foi na cidade de Coruche, famosa pela exportação de cortiça, e localizada às margens do rio Sorraia, o que favorece a plantação de um saboroso arroz. Lá residem cerca de 5 mil pessoas. A igreja de Nossa Senhora do Castelo é um dos mais importantes santuários marianos de Portugal. Recebe esse nome por ter sido erguida em um local onde antigamente havia um castelo. E de lá se tem uma vista maravilhosa do rio Sorraia e das pontes em degradê que tornam mais bela a paisagem local. 

interior da Igreja de Nossa Senhora do Castelo




vista de Coruche e das pontes pintadas em degradê
igreja Nossa Senhora do Castelo


No dia em que lá estive, a igreja estava fechada, mas uma senhora simpática que podava as roseiras abriu a porta para que eu conhecesse a igreja por dentro.

Continuando o passeio, e voltando por Almada, uma cidade que fica do outro lado do rio Tejo, uma parada obrigatória é em Sesimbra. Lá se localiza o cabo Espichel, o castelo de Sesimbra e o santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. 
cabo Espichel, em Sesimbra

Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel.

castelo em Sesimbra

Como fazia muito frio, não dava coragem de visitar a praia do Meco, onde se pratica o naturismo. Fica para uma visita durante o verão.

E encerrando o passeio, na bela cidade de Almada, onde me encantei com o transporte coletivo, não há como não visitar o santuário nacional do Cristo Rei de onde se tem uma bela imagem do Rio Tejo e de Lisboa. 
Santuário de Cristo Rei, em Almada

E de Almada para Lisboa, basta atravessar a ponte.
ponte que liga Almada à Lisboa
Se a pessoa estiver de carro, este passeio pode ser feito em um dia e outros locais podem ser também visitados. Mas uma coisa é fato: vai voltar com a alma resplandecente pela energia mariana da região e de outros santos.

mapa com um possível roteiro para se fazer o passeio acima

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Programa Homospiritualis em Lisboa

O Programa Homospiritualis foi criado em 1999 para difundir a Cultura de Paz. A partir de 2003, através do intercâmbio mediúnico, realizou um importante trabalho chamado Cultura de Paz e Mediunidade, que resultou na edição de vários livros, muitos utilizando o que chamamos de espiritologia, ou seja, o uso das técnicas da História Oral para se entrevistar supostos Espíritos.
Entre os dias 26 de janeiro e 09 de fevereiro, o Programa Homospiritualis foi apresentado em Lisboa, com uma série de palestras e um curso de Apometria. Com o apoio de dois centros de Umbanda (terreiro de umbanda sagrada Luz de Aruanda e Terreiro de Ogum Rompe Mato), o curso capacitou 40 pessoas para atuar com a técnica criada pelo dr. Lacerda, em meados do século XX, no Rio Grande do Sul.
Além do curso de Apometria, foram lançados na capital portuguesa os CDs do projeto Meditações Integrativas, e os cadernos Animagogia e Terapia Vibracional Integrativa. As palestras abordaram vários assuntos, entre eles, o estudo termográfico de diferentes práticas integrativas, como a meditação e as práticas de imposição das mãos.
E já está definida a data de um novo encontro em Lisboa: de 15 a 19 de maio. Em breve será divulgada a programação.
curso de Apometria, onde quatro grupos foram organizados para praticar as técnicas 


imagem termográfica de uma mulher durante a meditação