segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Programa Homospiritualis é difundido em Natal e João Pessoa

Entre os dias 28 de novembro e 04 de dezembro, o Programa Homospiritualis, mantido pela ONG Círculo de São Francisco, participou de vários eventos nas cidades de Natal/RN e João Pessoa/PB, difundindo o trabalho que completou 16 anos (o programa foi criado em 1999 e passou a ser mantido pela ONG em 2003).
O primeiro foi no Fórum Potiguar das PICs. O evento foi organizado pela Faculdade Nassau, com a participação de professores da UFRN, do Instituto Federal do RN, de terapeutas  e de outros interessados. Em 2017, Natal/RN sediará o I Congresso Nacional das PICs e o fórum foi uma oportunidade de reunir boa parte das pessoas envolvidas com a difusão das mesmas, sobretudo, nos espaços públicos. O Instituto Federal do RN, inclusive, tem um curso técnico sobre PICs, com duração de 2 anos e uma grade curricular muito significativa.

No fórum, a participação do Programa Homospiritualis foi intensa, com uma palestra abordando o despertar do Homo spiritualis e o (re)envolvimento humano; uma participação na mesa redonda "experiências de implantação das PICs no SUS", na qual contamos a experiência de São Carlos no ano de 2015 e a possibilidade de, em breve, termos uma política municipal das PICs, e também na "experiências com as PICs em Natal/RN, em que recebemos a responsabilidade de fazer o encerramento da mesa, comentando os significativos trabalhos expostos, entre eles, de meditação em presídios, de danças circulares e de Yoga. Por fim, ministramos mais uma oficina de Terapia Vibracional Integrativa (TVI), com cerca de 30 participantes.

Nos dias seguintes, participamos de uma palestra seguida de uma meditação integrativa no grupo Auta de Luz, que realiza um programa de educação em valores humanos para crianças que é exemplar. A palestra abordou o tema do quantum ao qualitum, uma forma de valorizar as energias psíquicas de uma forma diferente das energias físicas. Ainda no grupo Auta de Luz, acompanhamos uma manhã de trabalho, com cerca de 20 crianças. A experiência foi inesquecível. As crianças foram recepcionadas por volta das 7h30 da manhã e, em seguida, participaram de uma sessão de harmonização com cantos devocionais oriundos de várias tradições religiosas e de uma prática de Chi Kung. Às 8 horas começou a contação de história. Aproveitando nossa presença, a educadora responsável pela atividade apresentou sua adaptação do livro Rede da esperança, que faz parte, inclusive, do projeto Gaiolas literárias, realizado no município e que visa sensibilizar a comunidade para não manter pássaros em cativeiros.

Após outras atividades, as crianças encerraram o dia com o último ensaio para a apresentação do Auto de Natal ecumênico que foi apresentado, no dia seguinte, para os pais, encerrando as atividades do semestre da escola de valores humanos, do grupo Auta de Luz.

Também participamos de uma palestra sobre o poder da imaginação, no espaço prosperidade, de propriedade do instrutor de Yoga Kliger Rocha, que se tornou mais um parceiro no município. Por sua vez, na cidade de João Pessoa, participamos de mais dois eventos: uma oficina de TVI com usuários do Centro de Práticas Integrativas e Complementares Equilíbrio do Ser, mantido pelo SUS, e um mini-curso sobre Animagogia e Mito-estória de Vida, para alunos do curso de ciências das religiões, na UFPB, graças ao convite da profa. Eunice.

participantes no fórum potiguar das PICs

mesa sobre as experiências com as PICs em Natal/RN

Apresentação de Kliger Rocha, instrutor de Yoga

Apresentação de Soraya, focalizadora de danças circulares


adaptação do livro Rede da Esperança 

livros editados pelo Programa Homospiritualis na gaiola literária

livros editados pelo Programa Homospiritualis, divulgados nos eventos

adaptação do livro Rede da Esperança

crianças participantes da escola de valores humanos

horta do CPIC Equilíbrio do Ser, mantido pelo SUS

CPIC Equilíbrio do Ser

CPIC Equilíbrio do Ser

Oficina de TVI no CPIC Equilíbrio do Ser

Participantes da Oficina de TVI no CPIC Equilíbrio do Ser

Auto de Natal ecumênico na escola de valores humanos

Auto de Natal ecumênico na escola de valores humanos

participantes do evento Animagogia e mito-estória de vida, na UFPB

organizadoras do fórum potiguar das PICs

imagem dos principais teóricos que fundamentam a Animagogia

com Ana Tania, professora da UFRN, responsável pela política estadual das PICs,
quando foi secretária estadual de saúde; Lila Carvalho, organizadora do fórum,
e Kliger Rocha, instrutor de Yoga e professor universitário.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

projeto para implantação das PICS em São Carlos será apresentado em NATAL‏



No dia 28 de novembro, dentro da programação do Fórum Potiguar de Práticas Integrativas e Complementares na Saúde, Adilson Marques, professor da FESC e ex-coordenador da ONG Círculo de São Francisco, foi convidado para integrar uma mesa redonda sobre experiências para implantação das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) na saúde pública. Adilson Marques abordará a experiência de São Carlos para implantar as PICs no SUS. A experiência de São Carlos foi considerada inédita no Brasil, por representantes do Ministério da Saúde que estiveram na cidade, no mês de setembro, uma vez que procura integrar duas políticas nacionais: a das PICs, de 2006, e a da Educação Popular e Saúde (EPS), de 2013. 
Em setembro de 2015, um fórum foi realizado na cidade de São Carlos, na FESC Vila Nery, com a participação de representantes do Ministério da Saúde, da Prefeitura Municipal, de ONGs, da UFSCar, do Conselho Municipal da Saúde, de servidores da saúde, entre outros interessados. No encerramento, o fórum elegeu uma comissão responsável por elaborar um plano municipal, integrando as duas políticas nacionais. Em novembro o documento foi concluído e será repassado para análise do Conselho Municipal da Saúde e também para a Prefeitura Municipal.
Em São Carlos, a ONG Círculo de São Francisco mantém, desde 2003, o centro de referência comunitária em tratamentos naturais, complementares, integrativos e populares, que visa o atendimento gratuito da comunidade com diferentes atividades, entre elas, yoga, meditação, dança, constelação familiar e a TVI, uma técnica bioenergética laica e popular criada em São Carlos, entre os anos de 2001 e 2003, similar ao reiki, à cura prânica e outras técnicas de imposição das mãos. Todo o trabalho é feito por voluntários. 
E há vários anos a ONG tenta levar essa experiência para o sistema público de saúde, sem sucesso. Porém, no início de 2015, com o apoio do vereador Zé do Mato (PSDB), autor da lei para implantar a fitoterapia no SUS e que criou a semana da fitoterapia no município, e de suas assessoras, nasceu o projeto do fórum e a discussão para se criar um lei para implantar as PICs e a EPS na cidade de São Carlos. 


reunião no dia 08 de junho que definiu a programação do fórum





grupo de trabalho durante o fórum






grupo de trabalho durante o fórum


palestra sobre fosfoetanolamina com prof. Gilberto Chierici

sábado, 7 de novembro de 2015

Emmanuel Levinas (1906-1995): um sonho hermesiano em uma realidade prometéica

Emmanuel Levinas (1906-1995): um sonho hermesiano em uma realidade prometéica

Adilson Marques - pós-doutorando no departamento de metodologia de ensino da UFSCar
contato: asamar_sc@hotmail.com        
               
                Meu primeiro contato com a obra e o pensamento de Levinas aconteceu entre os anos de 1992 e 1996, durante a realização do mestrado, na FEUSP, sob a orientação da prof. Dra. Roseli Fischmann, que atuava, na época, com educação comunitária e multicultural, e também militava em defesa do estado laico e da diversidade religiosa. A obra de Levinas, com suas reflexões sobre a  alteridade e o respeito ao Outro (ao diferente) fazia parte de seu referencial teórico, que incluía também Martin Buber, Alfred Schutz e outros pensadores.
                Levinas costuma ser chamado de filósofo judeu, mas ele gostava de afirmar que era filósofo e judeu. Porém, é indiscutível a forte presença da religiosidade judaica em seu pensamento, o que talvez explique o motivo de sua obra ser muito mais discutida no ambiente da teologia do que, propriamente, na filosofia.
                Sua obra é classificada dentro da tradição fenomenológica. Levinas foi o primeiro a traduzir a obra de Husserl e de Heidegger para o francês. Porém, com o advento do nazismo e após ser preso em um campo de trabalho forçado na Alemanha, Levinas elabora sua crítica à ontologia de Heidegger e passa a se dedicar à ética, que chama de "filosofia primeira", elaborando seu pensamento em defesa do respeito ao Outro e do valor fundamental da alteridade e da transcendência.  
                Totalidade e infinito (1961) é considerada como sua principal obra, na qual deixa evidente sua crítica à busca por um saber absoluto e totalizante na filosofia ocidental (dos gregos aos alemães) e apresenta sua reflexão sobre o infinito, aprofundando, inclusive, sua reflexão sobre espiritualidade e postulando que a alma pode existir antes da encarnação e continuar existindo após a morte. No prefácio do livro (p. 13) afirma: “Este livro se apresenta como uma defesa da subjetividade, mas ele não a captará no nível de seu protesto puramente egoísta contra a totalidade, nem em sua angústia diante da morte, mas como fundada na ideia do infinito. Avançará distinguindo entre a ideia de totalidade e a ideia de infinito e afirmando o primado da ideia do infinito. Vai descrever como o infinito se produz na relação do Mesmo com o Outro e como, inultrapassável como é, o particular e o pessoal magnetizam de algum modo o próprio campo em que se verifica a produção do infinito."
                Para Levinas, o pensamento do ser, ou seja, a ontologia, conforme Heidegger a considerou, além de ser um pensamento excludente, seria perigoso por defender o privilégio da razão e se mostrar pretensamente neutro, quando estaria a serviço da identidade do "Mesmo"  e da negação ou destruição do "Outro".  Para ele, a razão, desvinculada da ética e da justiça, seria um dos motivos, por exemplo, para a ascensão de Hitler ao poder.  
                Podemos compreender que o ambiente em que viveu boa parte de sua vida era prometéico. O culto à razão, ao progresso, às doutrinas totalizantes formavam o cerne da modernidade. E, paradoxalmente, por questionar o mito prometéico da razão, ele é condenado como Prometeu. E é em sua experiência em um campo de trabalho forçado, perdendo toda sua identidade e humanidade, que consegue enxergar que seus heróis (Husserl e Heidegger) também reforçavam o "Mesmo", estando também inseridos em um pensamento absoluto e globalizador. E, de alguma forma, o próprio Levinas desperta ou rompe com o seu lado heroico marcado pela tentativa de levar uma outra tonalidade de Luz para a França racionalista, introduzindo o pensamento fenomenológico nascido na Alemanha.
                E mesmo não sendo um pensador "pós-moderno", sua proposta filosófica apresenta uma ruptura com o ideal moderno e prometéico que fundam o iluminismo e sua sombra, as sociedades totalitárias de esquerda e de direita. Para Levinas, a razão foi utilizada para neutralizar o Outro, englobando-o e o reduzindo ao Mesmo. E a ontologia heideggeriana não visaria a paz com o Outro, mas a supressão ou posse do Outro. A ontologia, em sua opinião, desemboca na tirania do estado, daí afirmar que a ontologia, sem a ética, seria a filosofia do poder ou a filosofia da injustiça.
                E a segunda fase do trabalho de Levinas, após sua experiência no campo de trabalho forçado, passa a ser a critica à legitimação do domínio do Outro, tanto na filosofia grega como na alemã. A Ontologia passa a ser considerada a "filosofia segunda" uma vez que, a "filosofia primeira" passa a ser a ética, ou a construção da alteridade e de uma relação de justiça com o Outro que, ao mesmo tempo, é transcendental. Ou seja, para Levinas, a busca da transcendência nos leva, inexoravelmente, ao Outro. A transcendência não é negatividade ou negação do mundo, como se esse fosse uma mera ilusão, mas uma abertura para o mundo e, sobretudo, ao Outro com o qual devo aprender a conviver com respeito, construindo, numa linguagem mais atualizada, uma cultura de paz e cooperação.
                E essa relação alquímica ou hermesiana com o Outro é o objetivo da sua ética, abrindo o nosso horizonte para uma perspectiva de não-violência e de justiça, no qual o ideal moderno iluminista (prometéico) que justifica a violência contra o diferente é substituída por um ideal transcendente e metafísico (hermesiano) de abertura e respeito ao Outro. E essa separação do Mesmo só é produzida sob a forma de uma vida interior (psiquismo). Para Levinas, o psiquismo não reflete o ser, mas é uma maneira de ser que resiste à totalidade, uma vez que, a  interioridade instaura uma ordem diferente do tempo histórico em que a totalidade se constitui. A interioridade é justamente a recusa a transformar-se num puro passivo, que figura nunca contabilidade alheia. E é o psiquismo e não a matéria que traz um principio de individualização, daí a relação direta entre a ética e a metafísica em seu pensamento tipicamente hermesiano.
São Carlos, dia 07 de novembro de 2015 - dia de São Vicente Grossi.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Pesquisa evidencia mudança de temperatura em práticas de imposição de mãos

Painel que será apresentado e discutido no II encontro regional de práticas populares de saúde,
na UFSCar, nos dias 23 e 24 de outubro.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

A evidência empírica do aquecimento da mão durante a imposição

Quem atua com técnicas de imposição das mãos, não importando se é o Reiki, o passe, o Johrey etc.,  costuma sentir um aquecimento nas mãos. Porém, não era possível dizer se este calor era real ou imaginação. Com uma câmera termográfica, hoje pela manhã, tivemos a evidência empírica que a mão realmente aquece.
Uma senhora de 55 anos, que sofre de neuralgia trigeminal, do lado direito do rosto, foi atendida na ONG Círculo de São Francisco através da Terapia Vibracional Integrativa (TVI), em uma sessão que durou 12 minutos.  A cada dois minutos, foi tirada uma foto da mão esquerda do terapeuta, que estava sendo imposta na direção do rosto da paciente. Abaixo temos a foto quando a imposição começou e também uma foto doze minutos depois, quando o atendimento estava para terminar.
Através das fotos é possível notar que a temperatura no centro da mão, onde, em tese, localiza-se um chakra, aumentou em 0,9 décimos, ou seja, quase um grau. Em nenhum momento a pessoa foi tocada e a imposição se concentrou durante todo o atendimento na altura da cabeça.
A paciente atendida relatou o seguinte após o atendimento: "no início eu estava com dores no rosto. No final da sessão eu deixei de senti-las. Senti um calor no rosto do lado direito, lado da neuralgia, durante a aplicação."
Essas fotos fazem parte da pesquisa de pós-doutorado de Adilson Marques, sócio-fundados da ONG Círculo de São Francisco, que atende voluntariamente com a TVI. A pesquisa está sendo realizada na UFSCar, e visa estudar os efeitos da meditação e de técnicas de imposição das mãos em pessoas com mais de 40 anos de idade.
foto tirada no início da sessão de TVI, com paciente que sofre de neuralgia trigeminal 
foto tirada 12 minutos depois, no encerramento da sessão de terapia


sábado, 1 de agosto de 2015

A difícil relação entre ciência e espiritualidade


O desejo de legitimar uma crença religiosa ou espiritualista como sendo científica, traz mais consequências negativas do que positivas para o movimento espiritualista como um todo, pois a resistência da comunidade acadêmica aumenta com tantos disparates chamados de "comprovação científica". Tomemos, por exemplo, o ensinamento de Saint Germain, presente em um de seus livros, que afirma ser possível pelo poder da mente ir dormir no corpo de um homem negro africano e acordar no corpo de uma mulher loira e alemã.
No plano das crenças, nada contra. Porém, não há nenhuma evidência científica desse processo, o que não significa dizer que não possa acontecer.
Mas se alguém escrever que a física quântica comprova que isso acontece, precisa demonstrar de fato, dentro das regras científicas.
Da mesma forma, encontramos livros afirmando que é possível controlar com a mente todos os fenômenos naturais, o que implica aceitar que podemos fazer chover ou parar uma chuva, criar eclipse lunar ou solar, parar o degelo dos polos etc. com o poder da mente. Também não há evidência científica desse processo, o que leva a comunidade científica a ignorar afirmações como a de Lauro Trevisan que escreve que a "física quântica comprova que a mente cria a matéria e a transforma."
Porém, desde a década de 1970, há pesquisas no campo da neuroimunomodulação e da psiconeuroimunologia que reconhece, com evidências, há existência de interação entre o sistema nervoso (que na essência é um monte de átomos) e o sistema imune, e reconhecendo que a mente pode enfraquecer ou fortalecer o nosso sistema imunológico, favorecendo ou dificultando, assim, a ação de fungos, vírus, bactérias etc. (que também são, essencialmente, formados por átomos). Porém, nada disso garante que houve uma "cura quântica", pois não há evidências que átomos fiquem doentes. A célula sim pode se deteriorar e morrer, liberando os átomos que a formam.
E da mesma forma que o eletromagnetismo e a psicanálise foram, no passado, usadas para legitimar crenças espiritualistas e religiosas, hoje a bola da vez é a física quântica e amanhã será outra disciplina científica.
E entrando no mérito das reflexões sobre espiritualidade e física quântica, os argumentos ou pressupostos teóricos são facilmente derrubados o que não significa dizer que o status quo não quer que as pessoas conheçam a "verdade", quando tais teorias são ignoradas pela comunidade acadêmica. Por exemplo, Capra (o tao da física) fará essa ponte entre ciência e espiritualidade partindo do pressuposto que o vácuo (vazio) quântico corresponde ao Tao, à Brahman ou a "realidade última" dos budistas. Essa hipótese não é aceita por vários espiritualistas e nem por vários adeptos da psicologia transpessoal que também procuram trilhar essa ponte entre a ciência e a espiritualidade.
Por outro lado, há autores que vão afirmar que o ato de olhar para o elétron faz com que ele deixe de ser onda e se torne partícula, justificando assim, que o ser humano cria a matéria. Essa é a tese central, por exemplo, de Lauro Trevisan e demais autores que afirmam ser possível controlar todo e qualquer fenômeno natural. Porém, o que os físicos realmente afirmam é que o instrumento criado para se medir o comportamento de um elétron interfere no resultado final.
Enfim, esse é um campo que merece ser trilhado, mas com método e paciência, e não apenas no afã de legitimar uma crença espiritualista, seja ela qual for.
São Carlos, 01 de agosto de 2015

terça-feira, 21 de julho de 2015

O conceito de qualitum e a relação ciência e espiritualidade


Os cientistas mais ortodoxos têm razão ao ironizar e desqualificar as tentativas de relacionar a física quântica com a espiritualidade. Capra iniciou esse processo quando defendeu a hipótese que o chamado "vazio quântico" corresponde ao Tao, à Brahman ou à "realidade última". Essa tese é facilmente refutada se atentarmos que o Tao Te Ching traz como ensinamento que tudo aquilo que pode ser concebido pela mente humana não é o Tao, logo, afirmar que o "vazio quântico" corresponderia ao Tao seria um equívoco.
E outros autores vão propor uma relação entre física quântica e espiritualidade a partir de uma interpretação também equivocada da famosa experiência da dupla fenda, na qual o elétron se comporta como onda e, ao ser medido, se comporta como partícula. Essa experiência foi de fundamental importância para demonstrar que a objetividade proposta no método científico de Newton não se aplica aos sistemas quânticos, pois, o instrumento utilizado para fazer a medida, interage com o elétron. Porém, autores diversos, interpretam que é o olho humano que faz esse processo acontecer. E vão além, afirmando por exemplo que, se o olho humano faz a onda entrar em colapso se transformando em partícula, o que não faria a nossa consciência. Essa hipótese foi testada na década de 1940 por um grupo de parapsicólogos e a pesquisa se mostrou inconclusiva, não dando para afirmar se a mente influenciava na trajetória dos elétrons ou se esses se comportavam de maneira casual. Enfim, não há evidências que a mente humana influencie no comportamento dos elétrons. E se lembrarmos que mesmo Einstein, criador da teoria da relatividade, afirmou que a velocidade da luz é constante e a luz é um fenômeno quântico, poderíamos constatar que cada pessoa seria capaz de criar para a luz uma velocidade particular, fazendo com que ela se a adaptasse/mudasse conforme o interesse de cada um se a mente humana tivesse esse poder de mudar um sistema quântico.
Assim, se a relação entre ciência e espiritualidade não parece se dar pelas experiências no campo da física quântica, não podemos menosprezar a existência da energia psíquica, estudada em profundidade por C. G. Jung, que, inclusive, acompanhou todo o desenrolar da física quântica e afirmou, em um de seus livros, que a energia psíquica (pensamento e emoções) não pode ser quantificada, mas pode ser sentida em sua intensidade e pode ser qualificada. E se a energia psíquica e também a noética (da imaginação e do espírito) não são capazes de influenciar os elétrons e átomos, há evidências que elas podem influenciar as células do nosso organismo, podendo, em tese, gerar enfermidades ou, quando o corpo está enfermo, auxiliar em sua renovação celular, promovendo uma recuperação da saúde.
Segundo especialistas, uma célula é composta por milhões de átomos e, ao se decompor, ela libera estes átomos que vão se unir/agregar na formação de outro elemento material, não necessariamente um corpo humano. E a energia ou campo capaz de mantém os bilhões de células unidos para manter integrado nosso corpo físico vamos identificá-la como sendo o qualitum. Esta energia é resultante das forças psíquicas e espirituais (noéticas). Como salientamos, ainda não temos como medir essa energia, mas como afirmava Jung é possível sentir sua intensidade e qualificá-la e até estudar o efeito dela em nossa constituição física (efeitos psicossomáticos) e também no domínio das emoções e dos pensamentos por nossa sensibilidade espiritual (noética). É por esse viés que podemos começar a trabalhar seriamente a relação ciência e espiritualidade, uma vez que, átomos, elétrons, glúons ou quarks não ficam doentes e não parecem ser afetados por nossa energia psíquica ou espiritual.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Espiritualismo ecumênico universal X misticismo quântico: existem outras possibilidades?

Atualmente, no cenário espiritualista, encontramos duas escolas completamente antagônicas: o espiritualismo ecumênico universal e o misticismo quântico. 
O primeiro, nascido no Brasil e já com ramos espalhados pela Europa e outros continentes, parte do pressuposto que a vida humanizada do Espírito é totalmente fatalista. Tudo está programado para acontecer, nos mínimos detalhes. O nosso papel neste contexto determinista seria o de agradecer e ser feliz pelo que nos acontece ou sofrer, mas não teríamos condições de mudar uma linha sequer do que já foi previamente traçado. 
No outro extremo, encontramos o misticismo quântico, nascido nos EUA, defendendo ou revalorizando o pensamento solipsista, ou seja, que tudo somente acontece dentro de nossa consciência e cada um está criando sua própria realidade a partir dos seus próprios desejos. Nesta perspectiva, não há carma, merecimento, destino, acaso  ou qualquer outra coisa que possa nos impedir de ter ou ser o que desejamos, a não ser nossa própria consciência. E dentro dessa concepção solipsista, seria possível, inclusive, voltar ao passado e reescrever a história, caso alguma coisa não tenha saído como desejado. 
As duas posições são irrefutáveis e não deixam margem para o acaso, imprevisto, erro etc. Por exemplo, se a pessoa adquire uma enfermidade ou é vítima de alguma ação negativa (estupro, roubo, acidente etc.) é porque já estava escrito para acontecer, no primeiro caso, ou é fruto do "pensamento negativo", no segundo. No primeiro caso, todas as nossas ações estão pré-programadas e independem do que pensamos ou desejamos. Não seria possível agir de outra forma. E, no segundo, só acontece aquilo que desejamos ou criamos mentalmente, mesmo que tal escolha seja de forma inconsciente. 
As questões sociais, políticas, econômicas ou ambientais estão também determinadas, no primeiro caso, ou são completamente ilusórias, incapazes de impedir ou bloquear a realização dos nossos desejos, no segundo. 
Mas, felizmente, existem outros posicionamentos espiritualistas que não caem nesses dois extremos, o do determinismo absoluto ou o da liberdade absoluta. Por isso, manter a mente focada na famosa oração da serenidade, nos ajuda a manter os pés no chão e o coração em Deus, trilhando, assim, nossa evolução e despertar espiritual, independente do que aconteceu, acontece ou que vai acontecer ter sido fruto do destino, da vontade de Deus, do nosso livre-arbítrio, do acaso ou das condições ainda "inferiores" da Terra:

Deus,
Conceda-me a serenidade
Para aceitar aquilo que não posso mudar,
A coragem para mudar o que me for possível
E a sabedoria para saber discernir entre as duas.

sábado, 30 de maio de 2015

A TVI começa a chamar a atenção da comunidade acadêmica

A Terapia Vibracional Integrativa (TVI) nasceu do esforço de uma equipe de terapeutas entre os anos de 2001 e 2003, após o estudo sistemático de técnicas como oReiki, a Cura Prânica, o Passe magnético, o Johrey e outras, visando a criação de uma técnica que não fosse religiosa e nem tivesse argumentações místicas (símbolos, rituais de iniciação etc.) para que pudesse ser difundida em espaços laicos como escolas e até praticadas no SUS, gratuitamente, levando conforto emocional, mental e espiritual, além de auxiliar no processo de cura enquanto uma terapia complementar. A partir de 2003, a TVI passou a ser ensinada gratuitamente e, até maio de 2015, 3500 pessoas entraram em contato com a técnica conhecendo seus fundamentos e procedimentos terapêuticos. E, finalmente, ela começa a chamar a atenção da comunidade acadêmica. Ontem estivemos como convidados participando da oitava semana de enfermagem, na UNIMEP, em Piracicaba e, em breve, deve ser iniciada uma pesquisa de TCC no curso de enfermagem, na UFSCar, utilizando a TVI.
Ela é formada por técnicas de meditação, de chi kung e de imposição das mãos. Mais informações sobre cursos e atendimentos pelo e-mail ongcsf@hotmail.com.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Semana da enfermagem e práticas integrativas

A ONG Círculo de São Francisco participou neste dia 29 de maio da oitava semana da enfermagem, da UNIMEP, em Piracicaba. A ONG ofereceu oficinas de TVI e de Constelação Familiar, em parceria com o projeto MAPEPS, da UFSCar.
voluntários da ONG e do projeto MAPEPS

Práticas terapêuticas oferecidas no projeto

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Efeito placebo, método científico e o poder regenerador do imaginário


No dia 17 de maio, o Jornal A Folha de São Paulo publicou o artigo O efeito placebo e a pseudomedicina. O artigo, do meu ponto de vista, tem uma dimensão positiva, ao nos alertar para os riscos das pseudo-medicinas, mas tem uma negativa que é a de generalizar a questão, desconsiderando as pesquisas sérias sobre as terapias complementares integrativas.
Em nenhum momento o artigo aborda as verdadeiras pseudo-medicinas que se escondem atrás de rótulos como "medicina quântica", "saúde quântica" ou "cura quântica", entre outros. Estas pseudo-medicinas partem de um pressuposto equivocado, fruto de uma interpretação errônea, seja por má-fé ou por ignorância. Elas acreditam que o fato de alguém olhar para um elétron faz com que ele mude o seu comportamento de onda para partícula.
Qualquer estudante minimamente informado do ensino médio, sabe que esse argumento carece de cientificidade. Não é possível se medir a olho nu uma partícula atômica. São necessários enormes aceleradores de partículas. Em suma, é o instrumento utilizado para fazer a medição que interage com o elétron fazendo com que o mesmo mude seu comportamento.
Porém, o fato desse pressuposto básico ser totalmente inconsistente, de forma que é um erro legitimar as práticas integrativas e complementares por esse viés pseudo-científico ou "quântico", isso não significa que várias das práticas integrativas e complementares não tenham valor, iniciando pelo uso da água mineral para fins de tratamento e também de manutenção da saúde.
O articulista, ao criticar o uso de águas minerais, ignora que desde a Antiguidade existe o uso terapêutico da águas, inicialmente pelas qualidades físicas e, a partir do Renascimento, a partir do estudo da reação química de diferentes tipos de água no organismo. E ninguém, em sã consciência, recomendará o consumo da água do rio Tietê in natura enquanto não houver evidências científicas que ela não faz mal para a saúde. O bom senso já nos indica que a qualidade da água tem influência na qualidade da saúde de quem a bebe ou a usa para banhos, independentemente da evidência científica.
E por falar em evidência científica, o articulista afirma que a medicina se baseia no método científico. Mas sabemos, há mais de cem anos, que o método científico utilizado para se estudar o mundo macroscópico não é suficiente para estudar o mundo que está além da velocidade da luz e tampouco o mundo das sub-partículas atômicas. Neste, por exemplo, o rigor objetivista do newtonismo é impossível de ser colocado em prática e é necessário levar em consideração a interferência da observação, com os seus instrumentos, no fenômeno a ser observado. O mesmo princípio é válido para a medicina. Assim, aquilo que o articulista chama de "pseudo-medicina" e que não aceita a lógica científica, talvez apenas necessite ser estudada por um método científico mais adequado. Se esse axioma for colocado em prática, a probabilidade das evidências empíricas, que já são muitas, poderão se multiplicar.
Mas o meu objetivo não é defender a homeopatia, a acupuntura ou outra prática terapêutica não-biomédica. Quero apenas demonstrar que a estrutura racionalizante proposta no artigo é muito mais subjetiva do que objetiva. E que, ao invés de antagonismo entre a" verdadeira medicina" e a "pseudo-medicina", carecemos mesmo é de um método que trabalhe com as dimensões humanas que se encontram para além de nossa estrutura fisiológica, valorizando de forma positiva o chamado "efeito placebo" e, conseqüentemente, a importância do imaginário na manutenção e também na recuperação da saúde.
Por ignorar a complexidade humana, o autor do artigo vai concentrar sua energia em atacar os pressupostos da homeopatia, afirmando que eles "contrariam mais ou menos tudo o que sabemos de fisiologia e de química" e que ela não passa de "placebo".  A homeopatia, realmente, contraria a fisiologia cartesiana que considera apenas o corpo físico, ignorando, mais por crença do que por evidência, a existência de outros campos energéticos no ser humano e nos demais corpos orgânicos (animais e plantas) e também nos inorgânicos (minerais).
E é justamente a existência desses campos sutis de energia que são ativados através do "efeito placebo" quando a pessoa acredita que vai melhorar ao tomar um remédio homeopático, fitoterápico ou alopático. Ao invés de ver o fenômeno como algo negativo, um cientista atento daria valor ao poder da imaginação sobre a fisiologia humana, rompendo com o paradigma cartesiano que não considera a inter-relação corpo/mente e não é capaz de compreender que muitas enfermidades são psicossomáticas, ou seja, produzidas pela ação do pensamento e das emoções. Ao se compreender esse fato, recursivamente se compreende que o tratamento também pode ser psicossomático, sem depender de nenhum elemento exterior. E isso inclui os remédios que o articulista defende, utilizados pela "medicina verdadeira".
Dentro dessa perspectiva, o "efeito placebo" pode ser a regra e não a exceção, ou seja, quem garante que os remédios alopáticos não funcionam devido ao efeito placebo? Quem pode nos garantir que por mais que o principio ativo de um remédio provoque determinadas reações no corpo de um rato, ao se fazer a mesma experiência com humanos, a "psicosfera" daquela pessoa não será capaz de anular aquela reação? Enfim, diariamente tomamos consciência de pessoas que são facilmente hipnotizadas e fazem tratamento de canal nos dentes ou fazem cirurgias em seu corpo sem precisar de anestesias. E o contrário também. Ou seja, há pessoas que tomam doses cavalares de anestésicos e seus corpos não ficam sensibilizados. Que poder humano é esse que anula o principio ativo de um remédio ou potencializa um "placebo"?
Se atentarmos a esse fato, poderíamos tratar com mais atenção o poder da mente e da imaginação criativa na origem de muitas enfermidades e, o mais importante, na recuperação da saúde. O articulista parece não dar o valor necessário a sua própria frase: "a simples expectativa de cura já provoca uma tempestade de reações fisiológicas reais". Esse fato, empiricamente comprovado, mereceria mais atenção por parte de todos que realmente se interessam pela saúde, sem interesses comerciais.
Infelizmente, a obsessão pelo "método científico" cartesiano parece não ajudar o articulista a perceber a contradição de seus argumentos quando propõe que a resolução do problema é feito submetendo uma parte dos pacientes "ao tratamento que você quer testar e a outra -o grupo-controle- a um placebo." Esse método, por mais que seja considerado científico, não anula o "efeito placebo", ou melhor, a interferência psíquica do sujeito que é o objeto da pesquisa.
Em suma, ao mesmo tempo que há a expectativa com a cura usando um placebo, pode haver a descrença com a cura usando ou não um placebo e até mesmo um determinado medicamento. Nesse sentido, o que para o autor do artigo é o "mais duro golpe" sofrido pela homeopatia, pode não ter passado de mais um discurso subjetivo de alguém disposto a atacar uma prática terapêutica com a qual não tenha simpatia. A pesquisa de 2005, citada pelo autor, levou em consideração se as pessoas atendidas pela homeopatia acreditavam em sua eficácia? E qual o percentual de céticos em relação à homeopatia participaram da pesquisa?
É muito fácil fazer uma crítica a uma prática terapêutica com a qual não concordamos. O discurso da ciência, por mais racionalizante que seja, é sempre subjetivo. Um estudo que demonstra empiricamente esse fato, usando um "ideologema" caro ao autor do artigo em análise, é o livro "Um fazer persuasivo", de Maria José Coracini. Dentro dessa perspectiva de uma ciência sem consciência, não é de se estranhar que "profissionais mais céticos começaram a produzir estudos de melhor qualidade, que não apresentavam resultados tão positivos." Até que ponto o interesse em apontar a ineficiência da prática não influenciou nos resultados?
Além disso, quando se trabalha com terapias que utilizam a energia humana, ainda não quantificada ou medida, mas que é possível sentir e qualificar sua existência através de reações fisiológicas como arrepios, lacrimejamento e outros, temos aqui o mesmo problema apontado acima com a experiência da dupla fenda que demonstra que o instrumento usado para medir o elétron interage com o mesmo e altera a medida, no caso, o comportamento do objeto estudado. Nas pesquisas sobre práticas bioenergéticas realizadas com a imposição das mãos, algo similar acontece, pois quando alguém se aproxima de outra e impõe as mãos, não importa se ela tem formação em reiki ou em outra técnica similar, uma troca de energias começa a se processar e isso vai alterar o resultado da medida. Assim, para estas pesquisas, o efeito placebo e a técnica do duplo cego não são suficientes para se fazer medidas objetivas, pois não levam em conta essa interferência.
Mas o importante aqui não é alimentar falsas dicotomias como, por exemplo, a homeopatia é errada e a alopatia é certa, ou vice-versa. A questão é que o poder da imaginação humana tem sido negligenciado e ela é um importante instrumento para manter a homeostase do "sistema humano", integrando em uma unidade o biofísico e o psíquico. Mas concordo com o articulista que é preciso alertar contra a pseudo-medicina, e esta não é a homeopatia, a acupuntura ou mesmo a água mineral. A pseudo-medicina é aquela que procura legitimar algumas práticas terapêuticas com base em interpretações místicas de uma disciplina cientifica séria como a física quântica. Mas esta é importante para nos alertar que o método usado para estudar alguns fenômenos pode não ser suficiente para se estudar outros.

sábado, 23 de maio de 2015

O erro interpretativo da cura quântica

A fundamentação da cura quântica, proposta do médico indiano Deepak Chopra é baseada em uma interpretação equivocada da experiência da "dupla fenda", na qual se procura detectar por qual fenda um elétron passaria. Devido a esse equívoco, muitas pessoas escrevem que "A física quântica já comprova que o observador faz com que o elétron modifique seu comportamento, de onda para partícula."
Essa citação acima foi retirado de um site sobre cura quântica, mas aparece nos livros do Deepak Chopra e de autores brasileiros como Lauro Trevisan. Porém, ela induz a um erro crasso. Não é o observador que modifica o comportamento do elétron, mas o instrumento usado para observar.
Vejamos o que de fato acontece, nessa citação de Niels Bohr, retirada de seu livro Física atômica e conhecimento humano: "O reexame do próprio problema da observação nesse campo, iniciado por Heisenberg, um dos principais fundadores da mecânica quântica, evidenciou pressupostos até então desconsiderados para o uso inambíguo até mesmo dos mais elementares conceitos em que repousa a descrição dos fenômenos naturais. O aspecto crucial, neste ponto, é o reconhecimento de que qualquer tentativa de analisar, à maneira habitual da física clássica, a 'individualidade' dos processos atômicos, condicionados pelo quantum da ação, é frustrada pela inevitável interação dos objetos atômicos em exame com os instrumentos de medida indispensáveis para esse fim."
Em outras palavras, afirmar que o observador interfere na medição, refere-se à interação descrita acima e não o fato de alguém observar. Aliás, é preciso levar em consideração que ninguém observa um átomo a olho nu. Para que pudéssemos ver um átomo, com o seu núcleo e sua eletrosfera, o átomo teria que ter o tamanho aproximado de um prédio de 16 andares. E, nesta escala, o núcleo seria como um grão de areia. Por isso, ele é observado de forma indireta através de complexos aparelhos que interferem no comportamento do elétron. 
Porém, os adeptos da cura quântica demonstram desconhecer esse fato, acreditando que é o ato fisiológico de olhar para o elétron que faz com que ele mude de comportamento, como se pode notar na frase abaixo, retirada do mesmo site:
"Mas é apenas nossos olhos que interferem, ou podemos ir a um ponto mais profundo, nossa consciência, que em infinitas probabilidades, faz com que apenas uma se manifeste?"
Fica explícito na frase que esse adepto da cura quântica ignora a relação entre o instrumento de medição e os elementos quânticos, acreditando que é o olho que interfere no processo. Assim, se o olho interfere, a consciência também deveria interferir. 
Vamos deixar essa outra questão para um outro artigo, quando iremos abordar diferentes pesquisas realizadas por parapsicólogos que tentando verificar se a força do pensamento interferia no movimento dos elétrons, chegaram a um resultado inconclusivo. Ou seja, deixar os elétrons se movimentar ao acaso ou tentar direcionar seu movimento com o pensamento não resultou em dados estatísticos que pudessem evidenciar a força do pensamento neste processo.
Enfim, a afirmação que a física quântica comprova que a mente cria a matéria ou a modifica, no caso dos sistemas quânticos, é facilmente refutável. Outra coisa, porém, é a força das emoções sobre as células, podendo afetá-las negativamente. Neste caso, há mais evidências demonstrando como a força do pensamento e das emoções, as energias psíquicas, afetam o corpo físico. Mas, é importante esclarecer, as células não fazem parte dos sistemas quânticos. 


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Um resumo do que é a animagogia e como é utilizada na ONG

1 - O trabalho terapêutico da ONG CSF se fundamenta na Animagogia, uma proposta de educação espiritualista que trabalha com 4 dimensões conscienciais:
a consciência sensorial, a consciência psíquica (emoções e pensamentos), a consciência noética (campo do imaginário, da intuição e dos sonhos) e a consciência espiritual (a consciência de ser um espírito eterno vivenciando uma experiência humanizada).
2 - O espírito escolhe, antes de encarnar, um gênero de existência (escolhe se vai encarnar no Brasil ou na Europa, se será branco, negro ou amarelo e também se encarnará em um corpo masculino ou feminino... também escolhe os pais...
3 - Algumas doenças são carmas, no sentido de terem as causas em vidas passadas. Quase sempre, essas doenças se manifestam até os sete anos de idade.
4 - As demais doenças costumam acontecer por descuido na vida atual: má alimentação, vida sedentária, crises emocionais, pensamentos negativos, vida estressada, intolerância, inflexibilidade etc.
5 - As doenças podem ser físicas, mentais ou emocionais. O espírito em si não fica doente.
6 - O tratamento deve ser feito de forma integral, atuando em seis frentes: físico, emocional, mental, espiritual, social e ambiental.
físico - alimentação equilibrada, exercícios físicos moderados, etc.
emocional - controle das emoções, perdoar, ter amigos etc.
mental - domínio dos pensamentos negativos, ser mais compreensivo do que crítico etc.
espiritual - viver com foco no presente, otimismo, fé, não condicionar a felicidade a nada etc. 
social - não se conformar ao estilo de vida moderno, estressante, competitivo etc.
ambiental - não se conformar com a poluição, falta de parques e áreas verdes etc.
7 - A saúde tende a se restabelecer com mais facilidade com a integração do ego com o self:
Ego - formado pela consciência sensorial e pela consciência psíquica (é uma consciência humanizada individual e/ou cultural)
Self - formada pela consciência noética (é uma consciência humanizada universal)
8 - Objetivos da Animagogia: favorecer um processo de (re)envolvimento humano seja com a natureza, com a comunidade, com o corpo físico e com a alma (integração do ego ao self).
9 - terapias que podem ser utilizadas em um trabalho de Animagogia: todas, desde que seu foco seja a integração do ego ao self e não o fortalecimento do ego ou até mesmo uma sobrevalorização do self, desconectando-o do ego.
10 - atividades realizadas na ONG, entre outras: constelação familiar, apometria, técnicas de imposição das mãos, yoga, meditação e massagem.

11 - A ONG está adotando uma nova metodologia, chamada Programa Essência, em que a pessoa que procura auxílio passará por uma triagem e um plano de tratamento será proposto para ela, com a utilização das várias práticas terapêuticas ofertadas na ONG.

domingo, 3 de maio de 2015

quadro esquemático do trajeto consciencial, segundo a animagogia


Esse quadro orienta todo o trabalho de Animagogia (educação espiritual) realizado na ONG Círculo de São Francisco. A partir dele é possível compreender a ação de cada prática terapêutica e organizar programas de anima-ação cultural voltadas para a integração do ego com o self e para despertar os atributos do espírito (a energia qualitum).

O quantum e o qualitum

O quantum está presente na natureza e, consequentemente, em nosso código genético. E podemos dizer que há também um quantum social e cultural que modela nossa forma de ver, sentir e agir no mundo. Porém, existe uma outra força que não é quantizada, mas que é capaz de qualificar nossa vida: o qualitum.
É através do qualitum que podemos nos servir de nosso código genético ou dos acontecimentos. Por mais dolorosos ou traumáticos que sejam; por mais que não consigamos mudar essa natureza, é sempre possível dar a ela uma nova orientação. com mais qualidade e um toque totalmente pessoal. Esse é o papel da força qualitum que vem do espírito e mesmo que ela não seja capaz de modificar o código genético ou o código social, vivifica nossa existência, possibilitando maneiras diferentes de interagir com o mesmo quantum.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

As quatro forças qualita para se atuar com a TVI



A Terapia Vibracional Integrativa (TVI) não utiliza símbolos e nem rituais religiosos para realizar os tratamentos bioenergéticos. Ela utiliza quatro forças que não são quantizáveis, mas são essenciais por serem atributos espirituais. Nesse sentido, são forças qualita (plural de qualitum).
O primeiro qualitum é a vontade. Ela é uma força espiritual fundamental. A vontade pode transitar do entusiasmo (agir com Deus dentro de si, ser tomado pela força divina) ao desânimo (sem alma). O entusiamo não depende de motivação externa para se manifestar, como acontece no "salto quântico" para um elétron mudar de órbita. O entusiasmo depende pura e simplesmente do próprio espírito. Por isso é uma força qualitum.
A segunda força é justamente o pensamento elevado. Como já afirmava Jung, não temos como quantificar o pensamento, mas podemos qualificá-lo. Focar em pensamentos positivos, otimistas, de harmonia etc. não vai transformar a matéria, mas nos dará força para enfrentar toda e qualquer vicissitude. Ao invés de focar na dicotomia ativo ou reativo, o pensamento elevado nos leva a agir ou a reagir sempre de forma compassiva e compreensiva, nos ajuda a ser benevolente em qualquer circunstância.
E a terceira força qualitum é o poder da imaginação criativa. Nossos pensamentos, sensações e percepções são frutos diretos do nosso imaginário. A energia dessa consciência imaginativa é importante para se obter e manter a saúde, pois essa força qualitum pode vitalizar as células do corpo físico, favorecendo a saúde dos órgãos e sistemas (digestivo, respiratório etc.).
Por fim, a quarta força qualitum é o amor. Esse é o atributo principal do espírito. Muitas doutrinas espiritualistas afirmam que o amor move o mundo. E alguns espíritos comunicantes afirmam que a energia irradiada pelo Sol e que mantém a vida em todo o sistema solar seria o amor emanado pelos seres que lá vivem. Enfim, o importante é compreender que o amor é o principal qualitum e ele é capaz de superar a ausência dos demais em um tratamento bioenergético.
Esses, portanto, são os quatro qualita necessários para se atuar com a TVI. Eles são universais e transreligiosos, o que torna a prática democrática, sem a necessidade de mestres, gurus, símbolos ou rituais de iniciação.


sábado, 25 de abril de 2015

Inserindo o qualitum na relação ciência e espiritualidade


Mahatma Gandhi, entre suas famosas frases, afirmou: "o amor de um é capaz de neutralizar o ódio de milhões". Provavelmente, essa afirmação é verdadeira. Há indícios que o amor seja uma força muito mais  poderosa que o ódio, mas não temos como medir se um quantum de amor corresponde, exatamente, a um milhão de quanta de ódio (lembrando que a palavra latina quanta significa o plural de quantum, expressão usada por Planck, em 1900, para identificar a menor quantidade de energia emitida, propagada ou absorvida por um corpo material). O amor, portanto, é uma força poderosa, mas não é quântica. Podemos dizer, para inserir essa força em uma reflexão acadêmica, que o amor é o principal qualitum existente no Universo e esta força de alguma forma age sobre o mundo material e sobre o mundo psíquico podendo gerar enfermidades físicas, emocionais, mentais, sociais e ambientais (quando se encontra ausente) ou restabelecer a saúde (quando ela se faz presente).
Mas o amor não é o único qualitum que se manifesta neste processo. Outras forças se somam a ela. A felicidade,  a fé, a humildade, a equanimidade, a paz interior etc. são qualita (plural de qualitum) que ao se manifestarem na vida cotidiana de uma pessoa, propiciam transformações energéticas significativas que são sentidas de dentro para fora. 
O erro, porém, é confundir a força de um qualitum com o campo de estudo da física quântica. Nenhum dos qualita apresentados acima tem como ser quantizado. Existe, obviamente, uma maneira de interação entre o sistema material estudado pela física quântica (mundo atômico e sub-atômico), pela física newtoniana (mundo macroscópico) e pela teoria da relatividade (fenômenos que ocorrem numa velocidade próxima a da luz)  com o mundo dos qualita, uma vez que estes parecem vitalizar os elementos materiais (como as células, por exemplo), mesmo que não haja evidências que essa força tenha alguma influência na organização do mundo atômico.
Porém, da mesma forma que a mecânica newtoniana não foi capaz de explicar os fenômenos na escala atômica e nem na escala  próxima à velocidade da luz, se fazendo necessário novos métodos de pesquisa e confecção de novas teorias que resultaram na física quântica e na teoria da relatividade, o pressuposto da existência do qualitum e a evidência que sua força é capaz de trazer bem-estar, serenar a mente e as emoções e, em certos casos, afetar o corpo físico, nos leva a pensar na necessidade de pensar em uma nova abordagem capaz de iniciar um outro campo de estudo, seja uma física ou uma medicina qualítica, capaz de estabelecer como campo de estudo a ação dos qualita na saúde integral, compreendendo que este estudo vai além do campo da física quântica e, sobretudo, que não se deixe contaminar com o misticismo e o charlatanismo idealista. 

São Carlos, 25 de abril de 2015.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Física quântica, ciência e espiritualidade - parte 1

Na internet, em livros e revistas lemos, com frequência, artigos afirmando que a física quântica comprova a reencarnação, que a mente cria a matéria e a transforma, que existe o plano akashico, que o prâna e a kundalini seriam energias quânticas etc. Tais informações carecem de base científica e, muitas vezes, vão de encontro às principais psicosofias (sabedorias espiritualistas). Sem falar do charlatanismo, cujo objetivo é vender mantos, amuletos e outros objetos materiais afirmando que os mesmos são construídos com base na física quântica. É preciso deixar claro, para início de conversa, que a mecânica quântica não se relaciona com o tema espiritualidade e nem, ao menos, com a consciência.
A física quântica se resume ao estudo do mundo subatômico, no qual o método científico newtoniano não é suficiente para explicá-lo. Uma das bases da física quântica é a impossibilidade de medir a velocidade e o momentum (tamanho, direção e localização) de um elétron. No universo macroscópico, onde a vida cotidiana acontece, isso é possível com praticamente todos os objetos o que permite, por exemplo, enviar com precisão um foguete para a Lua ou encaçapar uma bola de bilhar. Porém, no universo subatômico, quanto mais se conhece a velocidade de uma partícula, menos saberemos sobre o seumomentum e vice-versa. Por isso, é preciso fazer escolhas metodológicas, definindo o que será observado. E mesmo o resultado dessa observação nunca será preciso, como no caso da posição de Marte em relação à Terra daqui a 20 anos. No universo subatômico será necessário se trabalhar com probabilidades, o que impede qualquer determinação precisa do que acontece com as partículas naquele reino da natureza.
O fato da física quântica não trabalhar com consciência, com espiritualidade (aliás, o grande refrão dos espiritualistas é que não existe o acaso. E, por acaso, é justamente o acaso que a física quântica enfatiza) e valorizar o acaso junto com a ideia de indeterminação levou Einstein a afirmar que a teoria seria incompleta pois "Deus não joga dados").
Mas a probabilidade de existir vida após a morte, reencarnação, comunicação com espíritos etc. é alta. Há inúmeras evidências empíricas que apontam para a existência desses fatos. Mas, nenhum desses assuntos, são tratados pela física quântica. 
Pode ser que um dia o tema espiritualidade ou transcendentalismo ganhe, de fato, um cunho científico. Mas, ainda hoje, essa ponte entre a ciência e a espiritualidade é realizada através de relatos mediúnicos e da clarividência, dois métodos de estudos que não são científicos. E, a partir deles, é possível formular algumas hipóteses sobre a relação matéria - energia - espírito, mas é preciso saber diferenciar o que é uma hipótese, um pressuposto teórico ou mesmo uma teoria sobre a possível relação ciência/espiritualidade das afirmações pueris que encontramos rotineiramente afirmando que a física quântica comprovou a reencarnação ou outro fato espiritualista.
Dentro dessa perspectiva, vamos apresentar uma hipótese de trabalho que parte de um pressuposto básico: a existência de uma energia não medida ou quantificada que vamos chamar de qualitum e que se origina do Sol, apesar de não ser material (quantizada). Em alguns momentos ela se torna visível na atmosfera, constituindo-se no que a teosofia chama de "glóbulos de vitalidade".
Esta energia que estamos chamando de qualitum não cria a matéria, mas há indícios que ela vitaliza os átomos materiais, sobretudo os que formam os corpos orgânicos. E a atmosfera está saturada de glóbulos de vitalidade. O nosso corpo físico absorve essa energia quando está relaxado e também através do sono, resultando na sua revitalização. Mas é interessante assinar o poder da vontade na manipulação do qualitum. Podemos, usando conscientemente o nosso pensamento, manipulá-lo de forma a nos proteger de energias mentais e emocionais "mórbidas", de "vampiros" e de outras "energia negativas". Como também atraí-lo em grande quantidade, como acontece com a prática do Tai Chi Chuan, da Yoga ou da meditação.
Os glóbulos de vitalidade também chegam ao nosso organismo através do alimento e da água. Quanto mais saudáveis e naturais, mais quantidade de qualitumabsorvemos.  E os átomos presentes na constituição de nosso corpo físico, quando são esvaziados de qualitum, se tornam iguais aos outros que formam, por exemplo, uma cadeira.
Assim, o prâna (e consequentemente os glóbulos de vitalidade) não são quânticos, mas qualificam (vitalizam) os átomos. E o mesmo podemos dizer da Kundalini, uma energia que depende para ser despertada, de forma sadia e plena, da vontade e, sobretudo, da força moral. Esse fato já demonstra que a kundalini também não é uma energia quântica, pois, se fosse, a cadeira também seria capaz de despertar a kundalini. Esse despertar é fundamental para que ocorra a integração do ego (eu inferior) e o Self (eu superior). 
A Teosofia também defende que a energia física (quântica) é diferente do prâna e da kundalini e afirma que não tem como uma se converter em uma outra. E sem o despertar da kundalini não haveria comunicação consciente entre o plano físico e o astral.
Essa introdução é uma tentativa de construir um referencial teórico que, de fato, permita uma interface da ciência com a espiritualidade, pressupondo a existência de uma outra energia, o qualitum, que não entra na composição do átomo físico, mas que é capaz de vitalizar os átomos, sobretudo, os presentes nos corpos orgânicos. Em um outro artigo vamos buscar demonstrar o papel do pensamento e das emoções neste processo.

São Carlos, 23 de abril de 2015