segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Misticismo não é superstição


Adilson Marques - asamar_sc@hotmail.com

É muito comum encontrar algumas reflexões, sobretudo, nos meios religiosos, que querem combater as superstições que permeiam as relações com o sagrado, tratando-as como "misticismos". A expressão misticismo, cuja origem é grega, remete a experiência direta ou intuitiva com Deus ou uma "realidade superior". Não há nada de supersticioso no misticismo. Parte considerável dos ensinamentos milenares do Oriente foram obtidos através da experiência mística, seja a vidência, a clarividência, a "projeção astral" etc. Sem experiência não há misticismo. O empirismo é a sua base.
Por outro lado, a superstição é uma crença sem base racional e sem fundamento na experiência. Portanto, oposta ao misticismo. Obviamente que pode ocorrer pontos de contato. Por exemplo, uma pessoa supersticiosa pode acreditar que se alguém pega uma agulha e fica perfurando a foto de um desafeto, este vai sofrer dores pelo corpo ou adoecer. Porém, o místico, que conhece o poder da mente, que sabe manipular sua força mental e espiritual, sabe que a intenção de prejudicar alguém é que move uma determinada energia negativa até a pessoa mentalizada, que pode estar receptiva ou não. Porém, esse conhecimento não é supersticioso, mas construido através de uma prática, da experiência. Assim, enquanto o supersticioso se apega, quase sempre ao elemento visivel, o místico sabe que a força que move esses fenômenos é invisível e, além disso, sabe das consequências de nossas atitudes. E, novamente, não porque alguém disse, mas pela própria experiência.
Podemos dizer também que pensamentos sobre sorte ou azar estão no campo da superstição. O místico conhece e respeita as Leis cósmicas que regem o Universo, entre elas, a lei do Carma, que, como afirma Buda, é uma lei natural, independente de julgamento moral. Ela não existe para castigar ou punir quem é "malvado".
Enfim, podemos dizer que o espiritismo, o budismo, o taoísmo etc. são conhecimentos místicos, construidos a partir da experiência, seja direta com a dimensão invisível, o que hoje em dia é chamado de animismo e é valorizado, por exemplo, por movimentos como o Rosa Cruz; ou de forma indireta, contatando os seres que habitam essa dimensão invisível, como fazem os espíritas e os umbandistas através do mediunismo. 
Nesse sentido, as religiões podem conter elementos que remetem ao misticismo e também a superstição. Para aqueles mais iconoclastas, a luta contra a superstição precisa ser feita com mais cautela, pois corre-se o risco, como se diz na sabedoria popular, de jogar o bebê junto com a água suja do banho.
São Carlos, 05 de janeiro de 2012
--

Nenhum comentário:

Postar um comentário